
O factor mais importante para descobrirmos uma estrela é sem dúvida a magnitude desta, ou seja
o brilho, pois destaca-a de outras no fundo escuro do céu.
O primeiro a classificar as estrelas quanto ao seu brilho foi o Hiparco (190-120 AC)
da antiga Grécia. Ptolomeu recompilou mais tarde esse catálogo de estrelas separando-as em
cinco categorias. As mais brilhante com magnitude 1 e as restantes entre 2 e 5.
Em 1850 o astrónomo inglês Norman Pogson refez a escala e determinou que entre magnitudes
deveria haver um factor de 2,5, ou seja um astro de magnitude 1 seria 2,5 vezes que outro de
magnitude 2. Notemos que quanto maior for o valor da magnitude, menor o brilho do astro.
Para termos uma noção, Sírius tem uma magnitude de -1.6 e é a estela mais brilhante
visível do nosso planeta (excluíndo sempre o Sol!).
A olho nú podemos ver estrelas até uma magnitude de 6, mas em navegação apenas estelas
de magnitude inferior a 2,5 são usadas. Isto porque só é possível medir a altura de uma estrela
durante crepúsculo, pois é o momento em que temos simultaneamente
visíveis o horizonte e os astros mais brilhantes.
Outros factores são a época do ano, a hora e o local da observação pois nem sempre estarão à nossa disposição as estrelas que queremos observar. Não fará sentido, por exemplo, procurar o Cruzeiro do Sul quando estamos numa latitude elevada do hemisfério oposto.
Lembremo-nos que o movimento aparente da esfera celeste faz com que vejamos as estrelas
deslocarem-se de leste para oeste em torno de um eixo imaginário que passa pelos polos. Como a
esfera celeste roda uma volta completa em 23h56, todos os dias as estrelas nascem cerca
de 4 minutos mais cedo. Isto explica porque elas não estão sempre no mesmo local e se deslocam
de dia para dia aparentemente mais para oeste.
Na nossa latitude média de 38º N teriamos os movimentos aparentes das estrelas que as
figuras a seguir indicam.
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| Movimento aparente a Norte (rotação em torno da Polar) | Movimento aparente a Leste (as estrelas parecem subir para Sul) | |
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| Movimento aparente a Sul (as estrelas deslocam-se de Leste para Oeste) | Movimento aparente a Oeste (as estrelas parecem descer para Norte) |
Talvez seja mais prático começar por conhecer as constelações e partir depois para a identificação das estrelas. Tal como nas figuras anteriores, o nosso local de observação, salvo indicação em contrário, será o continente português ou as ilhas dos Açores (latitude média de 38º N).
Ao longo dos tempos teve várias denominações. Os Romanos viam nela uns bois atrelados, os Árabes
uma caravana no horizonte, os Índios da América do Norte uma concha enquanto que os povos da
América Central um homem sem uma perna.
A sua forma, um rectangulo com três estrelas em cauda a partir de um vértice é inequivoca.
O brilho das suas estrelas também não dificultam a sua localização.
É a partir desta constelação que se consegue chegar fácilmente à estrela Polar.
Localizando as suas guardas, Merak e Dubhé, determinamos com elas uma direcção.
Marcando 4 vezes a distância entre entre elas, encontramos a Polar.

Encontra-se visível todo o ano e é idêndica à Ursa Maior, mas como diz o nome, menor. Mais dificil de localizar pois as suas estrelas não brilham tão intensamente. Geralmente procura-se a Polar a partir da Ursa Maior e depois as restantes estrelas da constelação. Apesar de pouco intensa a estrela Polar fica num espaço com poucas estrelas à volta e bem visível. É a estrela mais conhecida por se situar sobre o Polo Norte.

Devido à rotação da constelação a estrela Kochab, a guarda mais brilhante, foi usada em conjunto com o nocturlábio como relógio nocturno.
É a constelação mais espectacular de toda a esfera celeste. Segundo a mitologia o grande caçador
Orionte vangloriava-se de poder matar qualquer animal. Após um terrível combate que travou
com Escorpião, os deuses tiveram de separá-los e colocaram-nos em regiões opostas da esfera
celeste.
É facilmente identificável pois as estrelas que formam os vértices do seu formato quase
trapezoidal, Betelgeuse, Bellatrix, Rigel e Saiph, são muito
brilhantes. É durante o Inverno que é mais fácil de observá-la.

A cortar esse trapézio aparecem um conjunto alinhado de estrelas, parecendo ser três, as quais têm a característica de estarem sobre o equador celeste. Da esquerda para a direita: Alnitak, Alnilam e Mintaka. Estas estrelas também são conhecidas pelas Três Marias ou Três Reis Magos ou ainda Cinturão de Orion, cinturão de onde parece pender uma espada, uma mancha que é a nebulosa de Orionte.
Na mitoligia antiga Dragão era o guardião da maçã de ouro. Um conjunto de estrelas sinuosas que separam as duas Ursas parecendo defender a Ursa Menor. Na cabeça a estrela Eltanin parece olhar para a estrela Vega.

A sua forma peculiar em W também não faz confusão. A sua posição é simétrica com a Ursa Maior relativamente à Polar. As suas estrelas mais brilhantes são Caph e Schedar.

É durante o Verão que é mais visível, logo ao início da noite vinda de Leste.
É a constelação mais conhecida do hemisfério Sul e a mais pequena em todo o céu. Visível apenas do hemisfério norte a latitudes inferiores a 27º N. Situa-se sobre a Via-láctea e é composta apenas por quatro estrelas em forma de cruz. Como não existe nenhuma estrela, à semelhança do polo norte, de brilho assinalável sobre o polo sul, foi usada como referência pelos navegadores tendo sido inclusivé elaboradas tabelas com os seus movimentos.

Repare-se como as estrelas, Gacrux e Acrux apontam em direcção ao polo sul, que se
localiza a uma distância de 5 comprimentos entre essas estrelas.
Com uma declinação próxima existe uma composição de estrelas semelhante ao Cruzeiro do Sul, mas
bem maior, é o "Falso Cruzeiro" (parte da constelação Quilha e Vela). Existem relatos que a
confusão entre os dois cruzeiros levou a que muitos navios e marinheiros se perdessem no mar.

É durante o Verão, tal como o nome sugere, que no hemisfério norte se podem observar distintamente três estrelas muito brilhantes fazendo um triângulo.

À nossa latitude (38º N), Vega é visível próxima do zénite, ficando Deneb (a cauda do Cisne, constelação a que pertence) e Altair (o nome não engana; é de origem árabe e que significa «águia em voo») mais afastadas do polo.
Sírius não engana. Pertence à constelação do Cão e é a estrela mais brilhante
no céu. Qualquer astro ou luminusidade mais intensa que Sírius não é uma estrela
(normalmente um planeta - Júpiter).

Alinhando com as estrelas do Cinturão de Orionte chegamos facilmente até Sírius. É no
Inverno que se torna mais fácil de observar.
Sírius foi também o nome adoptado do veleiro que o rei
D.Luís ofereceu à raínha D.Maria Pia.
Uma bela constelação totalmente visível na nossa latitude apesar de estar no hemisfério sul. É no Verão, já próximo da linha do horizonte numa direção entre sul e oeste, que podemos ver uma estrela nítidamente vermelha (não fazer confusão com o planeta Marte). É Antares, em árabe «coração do escorpião».

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