
Desde que o Homem observa o céu que aprendeu a conhecer as estrelas. Reparou também que apesar
de alterarem a sua posição no céu retornam periodicamente à sua posição original.
Na antiguidade era mais natural conhecer o céu, pois além da sua componente divina, era
frequentemente usado na orientação das viagens terrestes. Os árabes orientavam-se pelas estrelas
quando as suas caravanas atravessavam os desertos, verdadeiros mares de areias. E quem não
conhece o episódio da estrela de Belém que orientou os Reis Magos?
Desde as primeiras navegações no Mediterrâneo que se tinha a estrela Polar como referência.
Apesar do método muito rudimentar, pois a orientação não era instrumental, era já uma
dependência das estrelas na navegação.
Enquanto isso no Índico os árabes usavam o kamal para medir a
altura das estrelas e os chineses as tábuas de levar estrelas.
Os navegadores portugueses, quando se aventuraram peloas mares, foram pioneiros na verdadeira
navegação astronómica, usando os astros de modo científico, num método que ainda hoje usamos, se
bem que com a natural evolução dos instrumentos e métodos de cálculo.
Os nomes das estrelas e constelações são essencialmente antigos, alguns com muitas centenas ou
mesmo milhares de anos. Enquanto as constelações são essencialmente figuras da mitologia - uma
excepção, e não pequena, para as constelações do hemisfério sul que só a partir do séc. XVI
começaram a ser catalogadas - os
nomes das estrelas são uma verdadeira miscelania. Muitas estão relacionadas com a sua constelação, como Deneb que significa cauda e identifica essa parte da
constelação do Cisne. Outra, como Sírius, a mais brilhante estrela do céu, significa
literalmente brilhante, que corresponde ao que ela é na realidade e Arcturo
significa o caçador à espera da ursa. As estrelas com o prefixo al não deixam
muitas dúvidas quanto à sua origem árabe, Algol ou Alkaid.
Da imensidão de estrelas apenas algumas dezenas são usadas em navegação, quer pela sua posição
no céu, quer pela sua grandeza. Por exemplo, a estrela Polar, pelo facto de se localizar
muito próximo do Polo Norte e simplificar o cálculo da latitude. Outra estrela, como
a Kochab, foi usada com o nocturlábio como relógio
nocturno. Também a estrela Mintaka da constelação de Orionte tem interesse pois está
sobre o Equador Celeste.
Hoje nem todos conseguem identificar uma estrela, mesmo tendo ouvido falar de uma ou duas
- a estrela Polar por ex.- não sabem no entanto localizá-la. Olhar de noite para
o céu em busca de estrelas também é cada vez mais difícil pois a luminosidade e as construções
dos centros urbanos limita-nos o nosso campo de visão. Mas é no mar que, a nós marinheiros, nos
interessam e aí felizmente são bem visíveis.
Identificar uma estrela pode parecer um exercício com pouco interesse, apenas para astrónomos,
mas para quem navega conhecer uma estrela é conhecer um importante ponto de referência, num local
onde normalmente não existem outros. Se não a conhecermos apenas nos poderá fazer companhia
durante a viagem.
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| Hemisfério Norte | Hemisfério Sul |
Actualmente existem numerosos programas para computadores que nos apresentam o céu a qualquer
hora do dia com as respectivas efmérides. Pequenos mapas estrelares, conhecidos por
Star-Finder, ou "Identificadores de Estrelas",
mostram-nos, para uma determinada hora e latitude o céu e as estrelas visíveis.
A contrário dos astrónomos os navegadores apenas se interessam por um determinado grupo de estrelas que as usam em navegação. Seria também impensável compilar todos os dados das estrelas num almanaque e por isso escolheram-se quase 60 estrelas, quer pela sua magnitude, quer por qualquer outra razão útil.
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