A.N.C. - Embarcações Tradicionais - Tejo

Associação Nacional de Cruzeiros
EMBARCAÇÕES TRADICIONAIS
(Tejo)
O estuário do Tejo foi desde sempre uma encruzilhada de embarcações. A pesca, o transporte
de passageiros e mercadorias entre as inúmeras localidades espalhadas ao longo do rio são a
principal razão dos diferentes tipos de embarcações que aqui se podiam encontrar.
Apesar de nos dias de hoje quase não as podermos ver, algumas autarquias empenharam-se em
recuperar e preservar algumas delas. Estes desenhos do Arq.Telmo Gomes são outra forma de
imaginar esses tempos da vela.
Fragata
É com certeza a embarcação mais emblemática do rio Tejo. Embarcação de certo porte, bojudo e
pesado, media entre 20 e 25 metros de comprimento. Armava estai e vela grande de carangueja
içada junto ao mastro com acentuada inclinação para ré. Tinha duas câmaras, uma à proa e outra
à ré, decoradas nas anteparas.
Um pequeno bote era levado a reboque o qual servia para rebocar a fragata à força de remos nos
momentos de calmaria. A sua tripulação era apenas de três homens.
Varino (1880)
Embarcação de carga dos finais do século passado. Extremamente elegante e belamente decorado,
era descendente da enviada que os ílhavos deixaram no Tejo. Tinha o aspecto de uma grande
bateira de duas proas, com a de vante muito acentuada e dentada encimada por uma cabeleira
ou borla. Armava um estai e pano latino num mastro muito inclinado para trás.
Varino
O seu nome parece ter origem nos "ovarinos", embarcações de Ovar. Embarcação de carga muito
típica do Tejo, Tal como a fragata também era de casco bojudo, mas mais elegante e sem
quilha. Aparelhava uma ou duas velas de estai substituindo o latino tringular por um
quadrangular num mastro inclinado para a ré. Possuia duas cobertas com anteparas, porão com
paneiros e ainda bordas falsas para um melhor acondicionamento da carga.
Batel do Tejo
Embarcação do princípio do século e típica do Tejo, de convés corrido, proa dentada e popa
inclinada onde fixava um leme de charolo. Umas espadelas laterais ajudavam nas manobras.
O mastro, acentuadamente inclinado para vante, armava um grande latino bastardo. Possuía
também um pequno estai amurado num gurupés. Era normalmente usado na pesca e no transporte de
pessoas e carga entre as duas margens do rio.
Falua com Vela à Latina
esta embarcação era da família dos varinos. Normalmente era empregue no transporte de
pessoas entre as duas margens do rio, mas também se utilizava no transporte de cargas ligeiras
para abastecimentos dos mercados lisboetas.
Um grande latino bastardo cruzava um mastro ligeiramente inclinado para ré e um pequeno estai
amurava num gurupés. Media entre 15 e 16 metros de comprido e tinha uma tripulação de dois a
três homens.
Falua
Da família dos varinos e fragatas a falua transportava normamente carga e passageiros
entre as duas margens do Tejo. Existiam faluas de um e dois mastros qua armavam latinos
bastardos como os caíques. Esta embarcação muito rápida e veleira media aproximadamente
entre 14 e 15 metros de comprimento e tinha uma tripulação de dois ou três homens.
Cangueiro
Embarcação muito semelhante à fragata do Tejo, mas com uma proa mais arredondada para
maior protecção do embate das ondas durante o embarque ou desembarque. Transportava normalmente
cargas pesada, como areia e pedra para a construção civil. Possuía um bote de apoio, que ajudava
à manobra por meio dos remos. Em águas pouco profundas a tripulação ajudava nas manobras
impulsionando o barco com grandes varas, correndo as bordas de proa à popa ou vice-versa.
Bote do Pinho
Esta bela e muito bem decorada embarcação, da família dos varinos, tinha uma característica
específica. Era quase exclusivamente empregue no transporte de ramagem de pinho, que da margem
sul chegava, para abastecimento dos muitos fornos dos padeiros de Lisboa.
Armava uma longa vela latina triangular cruzada num mastro curto muito deslocado à proa. Possuia
duas pequenas câmaras à popa e à proa. Umas bordas falsas permitiam um melhor acondicionamento
da carga. Media entre 14 e 15 metros de comprimento e tinha uma tripulação entre 2 e 4 homens.
Bote Cacilheiro
Embarcação de casco semelhante à fragata mas de menor porte. Tinha a partucularidade de a roda
de proa estabelecer concordância com a quilha. Armava em geral um grande latino bastardo,
existindo no entanto alguns que tinham uma vela de estai e um latino quandrangular.
Normalmente media entre nove e dez metros de comprimento e a sua tripulação era composta por
dois ou três homens.
Canoa Cacilheira
Embarcação muito semelhante à fragata mas de menor porte e dimensões. A sua função principal era
o transporte de cargas e o transbordo de mercadorias entre navios ancorados ao largo e terra.
Armava uma vela de carangueja e uma vela de estai amurada numa vara com funções de gurupés.
Media entre 11 e 12 metros de comprimento.
Culé
Belíssima embarcação também chamada de varino de pau de aresta, pois os remates dos
costados com o fundo faziam-se por intemédio de paus de aresta. Apresentava um ou dois
estais, destinando-se o primeiro, que envergava uma vela tradicional, a fazer baixar o mastro
muito inclinado à ré. Armava um pano latino triangular.
Montava um grande leme de pá longa e media entre 12 e 13 metros. Era tripulado por dois homens.
Barco de Riba-Tejo
Inicialmente era utilizada na pesca, mas gradualmente serviu como embarcação de carga e
cabotagem ao longo das povoações ribeirinhas. O casco lembra a muleta do seixal, com a
proa muito pronunciada e dentada. O mastro muito inclinado para a proa armava um longo latino
bastardo. As espadelas laterais ajudavam muito nas manobras e navegação nos canais e esteiros
do rio. De notar o leme do tipo das embarcações de Ílhavo.
Praieira
Embarcação do tipo bateira, de proa bastante desenvolvida, fundo chato e convés corrido.
O seu grande leme de pá, desmontável, é um precioso auxiliar da navegação dos esteios e canais.
À ré possui um resguardo encerado para guarda de vários utensílios e descanso da tripulação, que
variava entre dois e três homens. Arma uma vela de espicha e um pequeno estai.
Bote da Arte da Tarantanha
A arte de tarantanha constituía uma variedade muito notável das artes de arrastar, sendo em
Portugal unicamente usado pelos pescadores do Barreiro, Seixal e Cascais. O arrasto era
efectuado pelo través. Armava um grande latino triangular, acrescido de uma armação em muleta
com seis panos. Media entre nove e dez metros de comprimento.
Muleta do Seixal
A muleta de pesca, pela sua forma original pitoresca é certamente a embarcação regional
portuguesa mais conhecida em todo o mundo. Era usada unicamente pelos pescadores do Seixal,
Barreiro e Cascais na arte da tarantanha, uma arte de arrasto pelo través.
A muleta apresentava fundo largo e chato, proa dentada excessivamente boleada e popa inclinada.
O aparelho da muleta era composto por um mastro muito inclinado para vante, onde içava a verga,
uma grande vela latina triangular e dois batelós (paus compridos) deitados pela popa e
proa que serviam para amurar e caçar as outras velas e, ao mesmo tempo, para nas extremidades
amarrarem os cabos que seguravam a rede da tarantanha.
Embarcações tradicionais portuguesas
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Última actualização : 31 de Outubro de 1999
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