
Após a descoberta do continente americano, recorde-se que o objectivo foi atingir a Índia pelo
Ocidente, vários foram os navegadores que procuraram a passagem que dava o acesso ao outro oceano.
Apenas Fernão de Magalhães em 1520 logrou descobri-la, bem ao sul do continente americano, através
de um estreito baptizado com o seu nome. Isso significava que para ligar por via marítima os
dois lados desse continente tinha-se de rodear esse mesmo continente pelo sul. Essa penosa
viagem significava meses de navegação.
Não admira portanto que desde então se tenha pensado em abrir um canal que unisse os oceanos
Atlântico e Pacífico. Em 1523 deu-se a primeira tentativa durante o reinado de Carlos V, mas como
todas as posteriores até ao séc.XIX, falhou.
Várias soluções foram pensadas e até houve quem pensasse tranportar
navios por comboio através do istmo.
Ferdinand Lesseps, o herói do Canal de Suez, obteve em 1878 uma
concessão da Colômbia que autorizava a sua nova Compagnie Universelle du Canal Interoceanique
a iniciar as obras. Começaram em 1882 e desde aí as dificuldades não pararam. Além de uma região
extremamente endémica e difícil pelo isolamento, os problemas financeiros foram os que mais prejudicaram
o seu sucesso. Apenas tinha conseguido obter 30 dos 400 milhões de francos que esperava angariar. Por
sua vez a malária,a febre amarela e outras doenças tinham dizimado 20.000 operários e a hostilidade
ao empreendimento pelos Estados-Unidos não favorecia o bom andamento do projecto.
Em 1885, e devido a enormes problemas, o plano inicial de um
canal ao nível do mar foi alterado de modo a incluir uma comporta. Após quatro anos a companhia
não conseguia pagar aos seus credores e faliu. Lesseps e os principais colaboradores, onde se
incluia um filho seu, foram levados em 1893 a tribunal e condenados.

Uma nova companhia, a Compagnie Nouvelle du Canal de Panama, foi criada em 1894 pelos franceses para tentar acabar o canal, mas também não teve sucesso. Restava agora encontrar um comprador já que a concessão dos terrenos só terminava em 1903.
Naquele tempo a ideia de um canal na zona do istmo do Panamá não era nova para os Estados Unidos. Em 1889 o Congresso encarregou a Maritime Canal Co do milionário J.O.Morgan para abrir um canal na Nicarágua ou no Panamá. Foi escolhida a zona da Nicarágua mas em 1893 uma crise bolsista obrigou as obras a pararem por falência da empresa. Um incidente na guerra hispano-americana, que obrigou o navio de guerra Oregon a circundar o continente chegando à zona do conflito dois meses depois já no terminar da guerra, fez acordar de novo o problema da ligação interoceânica.
Até à subida de Theodore Roosevelt à presidência dos Estados Unidos todas as comissões relativas
à construção do canal apontavam sempre para que este se construísse na Nicarágua.Depois de
movimentações e influências políticas, William Nelson Cromwell e Philippe Bunau-Varille,
que tinham interesses na Compagnie Nouvelle du Canal de Panama, conseguiram alterar o interesse
do governo americano para a zona do Panamá previamente escolhida pelos franceses. Os americanos
compraram a companhia por 40 milhões de francos mas não conseguiram acordo algum com o governo
da Colômbia. Naquele tempo a instabilidade na zona era regra geral e a pretexto de "salvaguardar
cidadãos dos Estados-Unidos no Panamá" foi enviado o navio de guerra Nashville para
Colon. No dia seguinte uma revolução de Panamianos criou um novo país, logo reconhecido pelos
norte-americanos. Desta vez um acordo sobre a zona do canal foi fácil: o controle de 5 milhas
para cada lado do canal para sempre por troca de 10 milhões de dólares e uma renda anual de
250.000 dólares a partir de 1913. Em 1977, o tratado foi revisto passando o Panamá a controlar
o canal desde de 31 de Dezembro de 1999.
A construção demorou 10 anos desta vez com mais recursos tanto financeiros como tecnológicos.
Mesmo assim o projecto inicial foi várias vezes alterado e o responsável inicial John F.Wallace
demitiu-se sendo substituído por John Stevens e este finalmente por George Goethals.

A solução de comportas mostrou-se a mais acertada. Um dique em Gatun criou um lago artificial cujas águas enchem as eclusas. As eclusas de Gatun elevam os navios a 26 metros até ao lago artificial. Como são duplas permitem a subida e descida simultânea de navios. Ao fim de 8/9 horas os navios atingem o oceano Pacífico depois de terem descido 9,5 m na eclusa de Pedro Miguel e 16,5 na de Miraflores. Todas as eclusas têm 305 metros de comprimento por 33 metros de largo e nestas os barcos são puxados por pequenos comboios chamados de "mulas".

O canal, ao contrário do que se possa pensar, corre no sentido N-S e não E-W como seria lógico pensar. Tem um comprimento total de 82 km, uma largura mínima de 90 metros e uma profundidade também mínima de 12,5 metros. Em Agosto de 1914 terminaram as obras e o cargueiro Ancon foi oficialmente o primeiro navio a passar o canal. A importância deste canal, de vital importância para o comércio mundial, justifica a presença de um forte contigente militar norte-americano numa base sediada no Panamá. Actualmente atravessam por ano mais de 14.000 embarcações que pagam cerca de 1 US$ por tonelada. As receitas do canal representam 25% da riqueza do Panamá o que reflecte a sua importância na economia deste pequeno país.
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