
A frota de 17 veleiros e uma lancha largou de Lagos em 12 de Agosto e, depois de contemplar a costa do Barlavento algarvio, foi fundear frente ao Grupo Naval de Olhão, onde este clube ofereceu as suas instalações balneares e uma bem regada sardinhada, cavalinhas e febras. O percurso seguinte foi até V. R. de Sto. António. A Associação Naval do Guadiana deu igual hospitalidade e a Câmara Municipal e a ANC brindaram as tripulações com um jantar típico de várias e excelentes especialidades de atum, inclusive em feijoada.

Já subindo o Guadiana, houve arribada a Guerreiros do Rio, onde se fundeou para visitar o Museu onde estão documentadas as actividades em que o Guadiana já foi pródigo (piscatórias, mineraleiras) ou ainda é (turismo de Natureza da melhor qualidade). Em breve será instalado um pontão acostável, para mais comodamente os iates de passagem poderem auferir deste interessante e bem organizado museu, bem como de um restaurante com óptima cozinha típica.
Mais umas milhas e chegou-se a Alcoutim, onde houve visita ao castelo e ao núcleo arqueológico, seguido de beberete oferecido pela Câmara Municipal. San Lucar de Guadiana em frente e em festa foi pretexto para "picar" petiscos espanhóis e ouvir "flamenco" até madrugada. Em Alcoutim se pernoitou, num confortável pontão como o de qualquer marina, com a diferença de tudo ser grátis: permanência, electricidade, água, sanitários, duches ao ar livre.

No dia 15/8 chegou a frota ao Pomarão, em plena baixa-mar, o que deu lugar a inofensivos encalhes dos primeiros e prudentes fundeios dos seguintes, até a maré subir um pouco e um pescador local vir ensinar "o caminho pelas pedras". Na verdade, houve um assoreamento desusado na confluência do Chança com o Guadiana, devido às descargas violentas da barragem luso-espanhola, motivadas pela invernia deste ano. Estão lá umas bóias improvisadas, brancas, que se devem deixar todas por estibordo. Se não estiverem lá as bóias, no último meandro do rio antes de Pomarão, deve-se passar pelo lado de dentro da curva, a uns 6 a 8 metros da margem, devagar e com atenção à sonda, de preferência de meia maré para cima e com água a encher. Passado esse ponto, volta a haver 8 m. de água em frente ao Pomarão, onde se fundeia sem problemas. Também aqui a edilidade vai instalar um pontão de acostagem, fazendo do local um pequeno porto de recreio. Depois de uma feijoada à alentejana oferecida pela ANC e uma excursão de autocarro a Mértola, com visita ao castelo e núcleo museológico, oferecidas pela autarquia, fez-se a descida, de novo até Alcoutim, onde terminou oficialmente o cruzeiro.

Houve quem continuasse para a Andaluzia, quem prolongasse as férias no Algarve, quem regressasse depressa ao trabalho. Todos com uma bela recordação desta realização da Associação Lacobrigense de Deportos Náuticos, que se afirmou no bom caminho do incremento da vela de cruzeiro e da descoberta das nossas rotas de turismo marítimo. Estão de parabéns, que repitam em breve, muitas vezes.
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