
Falamos aqui de quartos de vigía. Não existem regras fixas quanto a esquemas de distribuição de quartos. Vários factores determinam o método que devemos usar, conforme a duração, o tipo de cruzeiro, o número de tripulantes e a sua experiência. Nesta página ficam algumas dicas sobre quartos, cabendo depois ao comandante da embarcação adaptá-las ao seu caso. Depois, a própria experiência ditará o melhor método para cada um.
Em cruzeiros curtos, onde praticamente a navegação faz-se durante o dia, pode fazer pouco sentido distribuir quartos, pois normalmente todos estarão no convés e, a navegação e as restantes tarefas de bordo são feitas quase em conjunto.
De qualquer modo é um bom princípio estabelecer um regime de vigilância e navegação distribuido pelos tripulantes.
Sempre estimula a utilidade de cada um a bordo.

Onde realmente se põe o problema, é em cruzeiros nocturnos ou de alguma duração e sem escala. Aqui sim, torna-se essêncial elaborar um esquema de quartos que mantenha uma rotina a bordo. Horas de vigia, horas de alimentação, horas de folga e sobretudo horas de descanso, pois o cansaço diminue a capacidade de atenção e reacção dum tripulante. Um dos factores para manter o moral da tripulação durante alguns dias no mar, é exactamente uma rotina, mais ou menos rígida. Comecemos então por pensar em dois periodos distintos, que implicam também alguma diferença nas tarefas de bordo: o diurno e o nocturno.
No primeiro periodo, o diurno, contam sobretudo as tarefas de cozinha, limpeza/manutenção, navegação e vigia. No segundo predomina a vigia. Limitemos agora esses periodos no tempo: o mais comum será o diurno das 8:00 às 20:00 e o nocturno no restante tempo.
Sendo o quarto uma tarefa obrigatória, devemos distribuir equitativamente os tempos pelos tripulantes ao longo do dia, conforme a sua habilitação e estado. Entenda-se aqui por «dia» um periodo de 24 horas. Não se esqueça que sendo os quartos tarefas obrigatórias, os periodos de descanso também o são e são essênciais.

É normal fazer apenas quartos de vigia durante o periodo nocturno, mas como se disse anteriormente é um bom princípio estabelecer também um regime diurno.
O número de tripulantes ditará qual o regime a adoptar: se turnos de 2, 3, 4 ou mesmo 6 horas! Seis horas pode parecer excessivo, mas com um bom piloto-automático e tempo calmo é comum com tripulações de 2 pessoas. Uma hora será suficiente se tiver de abdicar do piloto-automático e o tempo e o mar não estiverem a ajudar. Se insistir em fazer quartos nestas condições apenas com um tripulante, existe uma regra quando for necessário chamar alguém ao convés para manobras. Acorda-se quem for entrar no turno seguinte. Aquele que saiu deve permanecer a descansar.
Os turnos de 4 horas são os mais comuns (apesar de pessoalmente preferir os de duas horas!). Esta divisão, apesar de não ser rígida, já vem de outros tempos e implicou inclusivé que se desse nomes nesses periodos nocturnos. Das oito da noite à meia-noite o quarto era chamado de prima, seguia-se a modorra da meia-noite às quatro e por fim, a alva das quatro às oito da manhã.

xiste a opinião de que o comandante não deve fazer quartos, sobretudo de noite, para que esteja sempre descansado, mas isso depende do número de tripulantes. Com uma tripulação muito reduzida, ajudar num quarto no periodo nocturno, pode ser realmente necessário. Se aquela regra for estabelecida, é ao comandante que cabe a tarefa de subir ao convés em caso de necessidade para ajudar nas manobras.

O quarto também será mais confortável acompanhado de uma bebida quente (mesmo no verão as noites no mar são frias) e uma refeição ligeira. Se não tiver sono faça companhia, pois uma boa conversa ajuda a cimentar as amizades de bordo e aligeira o turno.
Durante um quarto nocturno, num local com pouco tráfego e afastado da costa, além da vigia, que é sempre a primeira preocupação, pode fazer outras actividades para ocupar o tempo. Desde ler, ouvir um pouco de música, até arrumar e lavar qualquer coisa a bordo, ou cozinhar e preparar a refeição seguinte, fazer pequenas reparações e pescar. Também no periodo final do quarto pode preencher no diário de bordo os elementos de navegação e outros assuntos de interesse que se tenham passado nesse periodo. Quem sabe se nascerá um livro sobre a viagem?
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