A.N.C. - Etiqueta no Mar

Associação Nacional de Cruzeiros
PRAXE e ETIQUETA
A reconhecida solidariedade entre marinheiros, sobretudo nos mares, criou algumas regras
de boa educação e de relacionamento que são orgulhosamente seguidas e que ajudam a reforçar
o espírito náutico.
Este pequeno guia de praxe e etiqueta serve para relembrar ou dar a conhecer algumas
regras de comportamento entre homens do mar. Reconhecida por todos aqueles que navegam
pelos mares, estas particularidades distinguem o verdadeiro marujo do "terrujo".
Saudações
As saudações entre iates fazem-se arriando lentamente o Pavilhão Nacional e içando-o,
novamente, por três vezes.
Qualquer que for a sua nacionalidade deve-se saudar os navios de guerra, ao que estes
correspondem arriando e içando o pavilhão apenas uma única vez.
Se os iates forem de categoria diferente o de menor categoria deve saudar primeiro.
Um iate que serve de barco de júri de regata nunca deve saudar ou ser saudado enquanto tiver
içado o sinal de júri.
Em caso algum se usarão apitos, sereias, buzinas ou outros sinais sonoros para trocar
saudações. (Pode-se sempre confundir com alguma sinalização sonora!)
Bandeiras
Os galhardetes devem ser içados e arriados ao mesmo tempo que a Bandeira Nacional. Devem
permanecer içadas apenas entre o nascer e o pôr do sol.
Em águas estrangeiras deve-se içar sempre a bandeira dessa nação a tope do mastro principal
ou no vau de honra (nas embarcações portuguesas é o de bombordo!)
o que é incorrecto mas prática corrente.
Em dias de gala as embarcações de recreio içam bandeiras nacionais em todos os topes
do nascer ao pôr do sol. Pode-se içar também as bandeiras do
C.I.S., todas unidas e sem
qualquer ordem específica, pela adriça do estai sendo conhecido então por mareato.

Nunca se iça mais do que um pavilhão ou galhardete na mesma adriça, um por baixo do outro.
É um insulto para o que se encontrar por baixo.
Em barcos de recreio de um só mastro os sinais particulares do proprietário içam-se
no vau de estibordo. Nos de dois mastros são içados no mastro da mezena. Estes só se
içam quando o proprietário está a bordo.
Os sinais de regata são sinais convencionados e escolhidos pelos velejadores que se
içam em vez do galhardete do clube. Cada proprietário tem o direito de desenhar o seu
sinal de regata que arriará quando abandonar a prova, ou no final da mesma.
Hoje em dia e por norma de classe usa-se o galhardete da classe no lugar o pavilhão nacional e
sómente enquanto estiver em regata.
Os iates acompanham o luto içando as bandeiras a meia adriça. Primeiro içam-se a tope e só
depois baixam-se a meia adriça. Para arriar içam-se de novo a tope e depois arreiam-se por completo.
No caso de homem ao mar todos os barcos põem o pavilhão a meia adriça. O que tiver
encontrado o náufrago iça-a de novo a tope.
A indicação numa embarcação de homem ao mar
é sinalizada pela letra "O" do C.I.S.

Existe também o "sinal de refeição" içado no vau de estibordo, normalmente um
quadrado branco, que se iça quando o proprietário esteja a ser servido de uma refeição
e não deseje ser incomodado.
No entanto o mais procurado será o de "bar aberto", uma bandeira com um copo na sua
posição normal, convidando os marinheiros para um copo e uma conversa a bordo. Quando as bebidas
ou a paciência esgotarem, virar-se-á a bandeira ao contrário, com o copo para baixo
, indicando que
o bar fechou e são horas de cada um regressar à sua embarcação!
Há também o "sinal da noite", que significa desejarem os que estão a bordo paz e
sossego, livres de visitas! Iça-se a tope do mastro principal entre o pôr do sol e o
içar da Bandeira Nacional de manhã. Consiste habitualmente num galhardete azul ou o
nr.2 do C.I.S.
Generalidades
Uma embarcação deve evitar cortar a proa a outra (cruzar com outra embarcação e passar a
uma distância curta da proa). Neste caso deverá manobrar e passar pela popa.
Um proprietário não deve nunca recusar a um outro barco que amarre bordo a bordo e no
mesmo sentido.
Sempre que for possível deve-se acostar a um iate por estibordo (nos barcos à vela,
a comodidade indica que se acosta por sotavento).
A um navio de guerra português deve-se acostar a EB, reservando-se o seu bombordo para
os oficiais. O lado de honra nas embarcações portuguesas, fundeadas ou atracadas,
é o de bombordo, à popa das enxárcias. Nos outros países o bordo de honra é o estibordo.
Em andamento, o lado de honra é o de barlavento.
Quando há que atravessar o convés de um iate, passa-se sempre pela proa, isto é, por ante a
vante do mastro.
"Poder-se-á dizer que estes usos e praxes são uma imitação de disciplina militar.
Correspondem aos usos da boa sociedade entre as pessoas de educação, em terra. Aos amadores
da Marinha de Recreio, habituados a pisar salões, deve ser mais fácil e agradável
parecerem-se com a oficialidade de qualquer outra Marinha do que com o arrais do bote da fruta..."
Domingos Heitor Gomes no "GUIA DO MARINHEIRO AMADOR" 3ª edição de 1970 da Clássica Editora.
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Última actualização : 17 de Abril de 2001
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