
ASSEMBLEIA GERAL DA ANC. Foi no dia 28/3. A Presidente recapitulou as actividades de 95 e justificou o invejável activo de cerca de 6.500.000$00 como uma reserva para quando tivermos a ambicionada sede definitiva, que exigirá certamente encargos de vulto (móveis, equipamento, eventuais obras). O Clube Naval de Lisboa foi anfitrião e, no fim, a ANC ofereceu bebidas no bar, onde o original balcão é um "Snipe" sabiamente aproveitado. Como não surgiram listas alternativas, a Mesa apresentou à votação os mesmos nomes que há já 2 anos labutam, com poucas alterações: Mesa da Assembleia Geral: Presidente - Carlos Pinto Coelho; Secretários - José Serra, Fernando Torres. Direcção: Presidente - Mª Júlia Torres; Tesoureiro - Manuel Felizardo de Sousa; Secretário - Mário d’Oliveira; Vogais - Daniel Gouveia, J. Pedro Katzenstein. Conselho Fiscal: Presidente - José Veloso; Secretário - Fernando Nunes; Relator - Manuel Gonçalves. Esta lista foi eleita por unanimidade. Também por unanimidade foi aprovada a proposta de aumento de quotas para 5.000$00 anuais, a partir de 1996 para novos sócios e 97 para os actuais.
CRUZEIRO A VALADA. Com algumas caretas do tempo no 1º dia, tudo se recompôs para uma aprazível Páscoa no Tejo. O regresso fez-se numas registáveis 5h30m, de Valada a Belém, com vento e maré favoráveis. O barco-guia, o SURPRISE (Mário d’Oliveira), tendo marcado à ida no GPS todos os "way points" convenientes, trouxe enfileirada toda a frota atrás de si na volta, sem qualquer encalhe apesar das modificações que este Inverno trouxe aos baixios. Estiveram 32 barcos presentes e, mais uma vez, a Junta de Freguesia de Valada do Ribatejo disponibilizou infraestruturas, pessoal e boa vontade a jorros para o bem regado churrasco de febras e entremeadas (de porco, porque as vacas andam um tanto ensandecidas, daí o não convir fazer "sandes" delas).
CRUZEIRO DE VERÃO. Esboça-se um programa que envolve a regata 3 Dias de Lagos (8 10/8), o cruzeiro Lagos Pomarão anunciado no último número (os dias da semana saíram gralhados, valem os algarismos: 11 a 15/8) e quiçá um saltinho até El Rompido, em Espanha. A subida do Guadiana é uma organização conjunta da Associação Lacobrigense de Desportos Náuticos, ANC e Marina de Lagos. As inscrições já estão na sede e urgem, pois há "numerus clausus" (40 barcos). A ANC transmitirá as inscrições via fax para Lagos e aí será aposto o número de ordem de chegada. A taxa é de 5.000$00/embarcação. Para quem se inscrever, há 30% de desconto na Marina de Lagos de 4 a 10/8 e o dia 11 é gratuito. Sobre o interesse do prolongamento até El Rompido, ou do regresso em regata de V.Real Sto. António até Lisboa, gostaríamos de ouvir mais vozes.
JANTAR ANC/ALGARVE 96. O restaurante do Ginásio Naval de Faro proporcionou um óptimo ambiente para os cerca de 60 associados, familiares e tripulantes que se reuniram no já tradicional jantar anual ANC/Algarve. Como se não bastassem o encontro e o convívio para a animação e conversa, com as inevitáveis e oportunas apreciações sobre o decorrer das regatas passadas e as perspectivas para as vindouras, havia ainda outras boas razões para a boa disposição reinante, como fossem a qualidade do arroz de marisco (aliás, mais marisco do que arroz) oriundo ali bem da borda de água, e as prendas oferecidas pela ANC, para sorteio que contemplou todos os presentes. A saudação feita pela Presidente da Direcção, Júlia Torres, foi quanto baste sucinta e rápida e como tal efusivamente apreciada. Igualmente sábia foi a discreta presença de Eduardo Henriques, pela Comissão Técnica, para esclarecimentos e explicações sobre os cada vez mais respeitados FCT. (Do nosso Delegado no Algarve).
FLÂMULA AZUL ANC/ALGARVE 1996. Para este ano, contarão as regatas:
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Regata das Marinas (Vilamoura-Lagos-Vilam.) Volta ao Algarve Lagos-Olhão (nocturna) Portos dos Descobrimentos (Lagos-Palos) 3 Dias de Lagos Sta. Iria (Faro-Tavira-Faro) |
5-6/4 6-9/6 15-16/6 14-17/7 8-10/8 Outubro |
EMPRESAS APOIANTES. A MARINA DE LAGOS juntou-se ao rol da simpatia e concede, a sócios da ANC, 10% de desconto em qualquer época do ano.
PASSATEMPO. Para aproveitar o espaço que esta FI generosamente deixou livre, vamos a um passatempo lúdico náutico literário.
Comecemos por saborear um pedacinho de boa prosa de Joseph Conrad (Lord Jim, Lobo do Mar, O Tufão, etc.). Trata-se do início do
conto "A Laguna", do livro "Histórias Inquietas":
"De braços apoiados na cobertura da casota à popa da embarcação, disse o branco para o timoneiro:
- Passamos a noite na concessão de Arsat. Já é tarde.
O malaio limitou-se a resmungar e continuou a olhar fixamente para o rio. O branco descansava o queixo nos braços cruzados e
fitava a esteira do barco. Ao fundo da avenida rectilínea aberta na floresta pela cintilação do rio, o sol aparecia, sem núvens e
encandeante, pousado sobre a água que brilhava como uma folha de metal. A floresta sombria e triste erguia se de ambos os lados
do largo rio numa imobilidade silenciosa. Nas lamas da margem e por baixo das majestosas árvores de grande porte cresciam as
palmeiras nipa, sem tronco e com as enormes e pesadas folhas suspensas sobre o redemoinhar das águas pardacentas. No ar parado,
as árvores, as folhas, os ramos, as lianas, as pétalas das flores recém-desabrochadas pareciam ter sido encantadas e fixadas numa
imobilidade perfeita e definitiva. No rio também nada mexia, a não ser os oito remos que regularmente subiam relampejando para
mergulhar na água ao mesmo tempo como um só; e o timoneiro descrevia uma curva luminosa por cima da cabeça com a pagaia
antes de a mergulhar regularmente, a bombordo e a estibordo.
O branco, de costas para o sol, percorria com o olhar a vasta extensão deserta do estuário. Durante as últimas três milhas do seu
curso, o rio, até aí hesitante e sinuoso, corre a direito para o mar, como que corre atraído irresistivelmente pela liberdade de um
horizonte a Leste - para o Leste que abriga simultaneamente a luz e as trevas. À retaguarda do barco, um grito repentino duma ave,
um grito não harmónico e em decrescendo, deslizou pela superfície polida das águas e perdeu se, antes de chegar à outra margem, a
um silêncio de morte em que tudo estava mergulhado."
Para além da qualidade literária com que Conrad nos predispõe para o seguimento do conto, vamos desafiar o leitor a situar
correctamente a acção, com as seguintes perguntas:
1ª. O branco estava voltado para a proa ou para a popa da embarcação?
Envie as respostas para a Sede. Se acertar nas três primeiras, receberá uma assinatura anual da FI. Se responder certo também à
última, receberá, além da assinatura, um "motor-sailer" de 85 pés completamente equipado com radar, meteo-fax, GPS, piloto
automático, o manequim de há uns números atrás, ar condicionado, jacuzzi de popa e, mais importante, lugar vitalício em doca à
escolha com direitos de transmissão perpétuos a descendentes. Isto se conseguirmos comprovar a exactidão dessa última resposta.
Soluções na próxima FI. Entretanto, se quiser deliciar-se com o resto do conto e com os restantes, "Histórias Inquietas" está editado
pela Assírio & Alvim, (Nº 12 da colecção "O Imaginário").
2ª. O barco subia ou descia o rio?
3ª. O rio desaguava numa costa virada a Leste ou a Oeste?
4ª. Qual era a cor dos olhos do terceiro remador de estibordo?
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