A.N.C. - Folha Informativa ABRIL 96


Associação Nacional de Cruzeiros


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ABRIL 96

TORNEIO SURPRESA ANC. Numa realização CNL/ANC, será um misto de regata e "rally paper" náutico, com vertente convivial e gastronómica. Da inscrição, cuja taxa é de 2.000$00 por barco+patrão, acrescida de 1.000$00 por tripulante (inclui um jantar), transcreve-se: "Provar-se-á a destreza das tripulações, os seus conhecimentos náuticos, demonstração da arte de marinheiro e verificar-se-á também o apetite dos velejadores. Todo este esforço terminará com uma apetitosa coordenada no prato. Os prémios da 1ª regata serão distribuídos ao jantar. Haverá diplomas para todos os participantes". Algures no rio, um pescador entregará perguntas e tarefas a desempenhar durante o percurso. E é o que podemos revelar, pois as instruções são secretas até 1 h. antes da largada, sendo entregues na ANC ou CNL, conforme doca de desamarração. Inscreva-se cedo, pois há que calcular o jantar e o número de diplomas.

ASSEMBLEIA GERAL DA ANC. Foi no dia 28/3. A Presidente recapitulou as actividades de 95 e justificou o invejável activo de cerca de 6.500.000$00 como uma reserva para quando tivermos a ambicionada sede definitiva, que exigirá certamente encargos de vulto (móveis, equipamento, eventuais obras). O Clube Naval de Lisboa foi anfitrião e, no fim, a ANC ofereceu bebidas no bar, onde o original balcão é um "Snipe" sabiamente aproveitado. Como não surgiram listas alternativas, a Mesa apresentou à votação os mesmos nomes que há já 2 anos labutam, com poucas alterações: Mesa da Assembleia Geral: Presidente - Carlos Pinto Coelho; Secretários - José Serra, Fernando Torres. Direcção: Presidente - Mª Júlia Torres; Tesoureiro - Manuel Felizardo de Sousa; Secretário - Mário d’Oliveira; Vogais - Daniel Gouveia, J. Pedro Katzenstein. Conselho Fiscal: Presidente - José Veloso; Secretário - Fernando Nunes; Relator - Manuel Gonçalves. Esta lista foi eleita por unanimidade. Também por unanimidade foi aprovada a proposta de aumento de quotas para 5.000$00 anuais, a partir de 1996 para novos sócios e 97 para os actuais.

CRUZEIRO A VALADA. Com algumas caretas do tempo no 1º dia, tudo se recompôs para uma aprazível Páscoa no Tejo. O regresso fez-se numas registáveis 5h30m, de Valada a Belém, com vento e maré favoráveis. O barco-guia, o SURPRISE (Mário d’Oliveira), tendo marcado à ida no GPS todos os "way points" convenientes, trouxe enfileirada toda a frota atrás de si na volta, sem qualquer encalhe apesar das modificações que este Inverno trouxe aos baixios. Estiveram 32 barcos presentes e, mais uma vez, a Junta de Freguesia de Valada do Ribatejo disponibilizou infraestruturas, pessoal e boa vontade a jorros para o bem regado churrasco de febras e entremeadas (de porco, porque as vacas andam um tanto ensandecidas, daí o não convir fazer "sandes" delas).

CRUZEIRO DE VERÃO. Esboça-se um programa que envolve a regata 3 Dias de Lagos (8 10/8), o cruzeiro Lagos Pomarão anunciado no último número (os dias da semana saíram gralhados, valem os algarismos: 11 a 15/8) e quiçá um saltinho até El Rompido, em Espanha. A subida do Guadiana é uma organização conjunta da Associação Lacobrigense de Desportos Náuticos, ANC e Marina de Lagos. As inscrições já estão na sede e urgem, pois há "numerus clausus" (40 barcos). A ANC transmitirá as inscrições via fax para Lagos e aí será aposto o número de ordem de chegada. A taxa é de 5.000$00/embarcação. Para quem se inscrever, há 30% de desconto na Marina de Lagos de 4 a 10/8 e o dia 11 é gratuito. Sobre o interesse do prolongamento até El Rompido, ou do regresso em regata de V.Real Sto. António até Lisboa, gostaríamos de ouvir mais vozes.

JANTAR ANC/ALGARVE 96. O restaurante do Ginásio Naval de Faro proporcionou um óptimo ambiente para os cerca de 60 associados, familiares e tripulantes que se reuniram no já tradicional jantar anual ANC/Algarve. Como se não bastassem o encontro e o convívio para a animação e conversa, com as inevitáveis e oportunas apreciações sobre o decorrer das regatas passadas e as perspectivas para as vindouras, havia ainda outras boas razões para a boa disposição reinante, como fossem a qualidade do arroz de marisco (aliás, mais marisco do que arroz) oriundo ali bem da borda de água, e as prendas oferecidas pela ANC, para sorteio que contemplou todos os presentes. A saudação feita pela Presidente da Direcção, Júlia Torres, foi quanto baste sucinta e rápida e como tal efusivamente apreciada. Igualmente sábia foi a discreta presença de Eduardo Henriques, pela Comissão Técnica, para esclarecimentos e explicações sobre os cada vez mais respeitados FCT. (Do nosso Delegado no Algarve).

FLÂMULA AZUL ANC/ALGARVE 1996. Para este ano, contarão as regatas:

JUSTIÇA! Chegou-nos uma correcção à notícia sobre a passagem de ano no Seixal que é de todo o direito divulgar. Dissemos que os comandantes teriam abandonado as suas embarcações durante a(s) refrega(s), o que não aconteceu. Alguns tripulantes acolheram-se à ANS, mas os patrões do VESPER e do GANG WARILY mantiveram se sempre a bordo, acompanhados de alguns outros tripulantes. Sem dormir, mas a bordo! Penitenciamo-nos por ter reproduzido um relato apenas parcialmente correcto mas, desta vez, o repórter não estava lá...

EMPRESAS APOIANTES. A MARINA DE LAGOS juntou-se ao rol da simpatia e concede, a sócios da ANC, 10% de desconto em qualquer época do ano.

PASSATEMPO. Para aproveitar o espaço que esta FI generosamente deixou livre, vamos a um passatempo lúdico náutico literário. Comecemos por saborear um pedacinho de boa prosa de Joseph Conrad (Lord Jim, Lobo do Mar, O Tufão, etc.). Trata-se do início do conto "A Laguna", do livro "Histórias Inquietas":

"De braços apoiados na cobertura da casota à popa da embarcação, disse o branco para o timoneiro:
- Passamos a noite na concessão de Arsat. Já é tarde.
O malaio limitou-se a resmungar e continuou a olhar fixamente para o rio. O branco descansava o queixo nos braços cruzados e fitava a esteira do barco. Ao fundo da avenida rectilínea aberta na floresta pela cintilação do rio, o sol aparecia, sem núvens e encandeante, pousado sobre a água que brilhava como uma folha de metal. A floresta sombria e triste erguia se de ambos os lados do largo rio numa imobilidade silenciosa. Nas lamas da margem e por baixo das majestosas árvores de grande porte cresciam as palmeiras nipa, sem tronco e com as enormes e pesadas folhas suspensas sobre o redemoinhar das águas pardacentas. No ar parado, as árvores, as folhas, os ramos, as lianas, as pétalas das flores recém-desabrochadas pareciam ter sido encantadas e fixadas numa imobilidade perfeita e definitiva. No rio também nada mexia, a não ser os oito remos que regularmente subiam relampejando para mergulhar na água ao mesmo tempo como um só; e o timoneiro descrevia uma curva luminosa por cima da cabeça com a pagaia antes de a mergulhar regularmente, a bombordo e a estibordo.
O branco, de costas para o sol, percorria com o olhar a vasta extensão deserta do estuário. Durante as últimas três milhas do seu curso, o rio, até aí hesitante e sinuoso, corre a direito para o mar, como que corre atraído irresistivelmente pela liberdade de um horizonte a Leste - para o Leste que abriga simultaneamente a luz e as trevas. À retaguarda do barco, um grito repentino duma ave, um grito não harmónico e em decrescendo, deslizou pela superfície polida das águas e perdeu se, antes de chegar à outra margem, a um silêncio de morte em que tudo estava mergulhado."

Para além da qualidade literária com que Conrad nos predispõe para o seguimento do conto, vamos desafiar o leitor a situar correctamente a acção, com as seguintes perguntas:

Envie as respostas para a Sede. Se acertar nas três primeiras, receberá uma assinatura anual da FI. Se responder certo também à última, receberá, além da assinatura, um "motor-sailer" de 85 pés completamente equipado com radar, meteo-fax, GPS, piloto automático, o manequim de há uns números atrás, ar condicionado, jacuzzi de popa e, mais importante, lugar vitalício em doca à escolha com direitos de transmissão perpétuos a descendentes. Isto se conseguirmos comprovar a exactidão dessa última resposta. Soluções na próxima FI. Entretanto, se quiser deliciar-se com o resto do conto e com os restantes, "Histórias Inquietas" está editado pela Assírio & Alvim, (Nº 12 da colecção "O Imaginário").


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Última actualização : 21 de Abril de 1996
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