A.N.C. - Folha Informativa OUTUBRO 97


Associação Nacional de Cruzeiros


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OUTUBRO 97


NESTE RETOMAR de actividades que se segue às férias, reaparece também a FI, com os desejos de que tudo tenha corrido da melhor forma, nauticamente e não só, aos associados da ANC. De espíritos retemperados, corpos ainda bronzeados, preparemo-nos para os longos meses que nos separam da próxima época estival, com a consolação de navegarmos todo o ano. Bons ventos!

TORNEIO PIRES DE LIMA. Das regatas acima, salientamos mais uma edição deste tradicional torneio, aberto às Classes ANC e CHS. Os prémios são, como habitualmente, muito tentadores. Os sócios irão receber o anúncio de regata, por correio, em suas casas.

ROTAS DO ALGARVE / ANDALUZIA. (colaboração do Arq. José Veloso - Lagos)
O Cruzeiro de Verão da ANC foi este ano novamente organizado no Algarve, como em 1996, com a Associação Lacobrigense dos Desportos Náuticos. Foram as ROTAS DO ALGARVE E ANDALUZIA, uma descoberta de novos pontos de interesse ao longo desta costa.
O percurso foi de Lagos até ao El Rompido com etapas de paragem. Além de Vilamoura, a frota de 14 barcos, visitou as Quatro Águas de Tavira, mais uma novidade e bem agradável. O Clube Náutico de Tavira foi insuperável com um barco piloto fora da barra à espera de cada grupo de embarcações que chegava, guiando-o depois até indicar o sítio exacto para cada um largar o ferro e fundear. Se alguém tinha dúvidas sobre o que é a boa hospitalidade, ficou ali bem esclarecido.
Aliás no El Rompido veio a acontecer exactamente o mesmo. A entrada da barra e subida do longo canal até às bóias que estavam preparadas para amarrar, foram feitas com a frota seguindo o barco que estava À espera no mar, na hora prevista. Sem essas indicações, tinha sido impossível a tradição daquelas bóias da barra, que deve ser um segredo que têm bem guardado.
Valha a verdade que não foi só nisto que Tavira e El Rompido rivalizaram. Além de ambas as barras serem aqueles petiscos que não se aconselham a quem ainda não os tiver provado, nos dois locais a transferência para transporte para terra e as disponibilidades das instalações dos clubes funcionaram igualmente na maravilha. Depois, ambos propuseram servir, nos repastos de recepção "comida à marinheira", ideia que foi alegremente aceite. Resultou em grão com bacalhau, salada fria em Tavira e prato quente em El Rompido. Esta falta de coordenação gastronómica e de imaginação, pelos vistos muito marinheira, foi compensada pela qualidade culinária e pela simpatia e boa disposição geral.
A única nuvem que ensombrou as ROTAS DO ALGARVE E ANDALUZIA e que não nos largou durante todo o cruzeiro, foi a avaria do veio do hélice, que obrigou a tripulação do SÍRIUS a ficar em Lagos, e a frota a perder a mais estimada das companhias. Sem desprimor para todos os outros, eles fazem realmente muita falta entre as tripulações da ANC.

SAILING RYDER CUP'97 em Lagos. Os treze veleiros que constituiram a frota desta regata largaram para a penúltima etapa rumo a Cádiz. As etapas Baiona-Setúbal e Setúbal-Lagos foram anuladas devido à falta de vento.

A DIRECÇÃO, a cinco meses do fim deste mandato -- o 2º consecutivo -- gostaria de contar com uma colaboração mais activa de sócios nisso interessados, com novas ideias, novas iniciativas, novas soluções para os multifacetados aspectos que envolvem ter um barco de cruzeiro em Portugal. Receia-se que, ao fim de quatro anos de gestão da Classe, as mesmas pessoas estejam, naturalmente, rotinadas, falhas de imaginação, a repetir-se. A Classe só teria a ganhar com esse refrescar de perspectivas. Caro sócio, se tem as suas maneiras de ver uma Classe náutica que ultrapassou os 500 barcos inscritos, os 2500 praticantes envolvidos, em regatas e em cruzeiros, dê-nos "uma mãozinha" na manobra desta nau que, sendo cada vez maior, não tem tormentas a afectá-la. Verá que é estimulante e que, apesar do que dissemos, acaba por ser divertido.

PORQUE HÁ NOVOS SÓCIOS recentemente inscritos, relembramos que a ANC:

ETIQUETA NÁUTICA. A propósito de termos lembrado, no número anterior da FI, que nunca se deve colocar uma insígnia debaixo de outra na mesma adriça, pois isso é um insulto à que fica por baixo, há anos interpelámos o patrão de um iate francês que entrou na Doca de Belém com a nossa bandeira no vau de estibordo (até aí, tudo certo para francês) mas por baixo da bandeira espanhola, na mesma adriça. Ah, rapazes, aquilo é que não podia ser! O indivíduo desfez-se em desculpas e explicou: tinha passado por Espanha e lá tinha dado um tal nó ao colocar a bandeira na adriça, que nunca mais conseguira desatá-lo. Para comprovar, imediatamente arriou os pavilhões, mostrando um verdadeiro nó górdio, ou... à espanhola, no galhardete do país vizinho. Dissemos-lhe que tinha de resolver o problema de qualquer forma, porque não era tolerável aquela situação. Então o francês, mais expedito em soluções rápidas do que em nós de marinheiro, desatou o pavilhão português, atou-o de novo na adriça, mas acima do espanhol, voltou a içar e rematou o incidente diplomático com um sorriso de orelha a orelha e um triunfante "- Voilà!".

TAL NÓ, nó górdio ou à espanhola! O nó mais corrente a bordo de certas embarcações. Este nó é impossível de desatar, não corre, não deixa correr (tipo não ata nem desata) e a sua forma é sempre diferente pelo que é difícil de descrevê-lo. Só grandes especialistas conseguem esta variação sem deixarem lá os dedos. Extremente seguro nos sapatos e nas amarrações...é que fica mesmo amarrado!


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Última actualização : 2 de Outubro de 1997
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