Associação Nacional de Cruzeiros



BATALHAS E COMBATES
da Marinha Portuguesa

1º Periodo - de 1139 a 1250
(Conquista do Território)

Entre os principais tipos de navios mercantes da Idade Média contam-se a nau e a barca. A primeira era uma navio de dimensões relativamente grandes, inicialmente com um só mastro envergando uma grande vela redonda. Mais tarde evoluiu para um navio de três mastros pela adição de um pequeno mastro à proa e outro à popa, o primeiro envergando uma vela redonda e o último uma vela latina. A barca era um navio de menores dimensões com um único mastro envergando uma vela redonda. Como é evidente, com este tipo de aparelho, as naus e as barcas só podiam navegar para sotavento, com vento de popa ou de alheta, o que as obrigava muitas vezes a permanecer por longos períodos nos portos à espera de vento favorável para prosseguir viagem. Quando necessário, as naus e as barcas podiam ser utilizadas como navios de guerra, bastando para isso meter-lhes dentro algumas dezenas de homens de armas que combatiam os navios contrários com arremessos de flechas, virotões, dardos, lanças de fogo, pedras, etc, a que geralmente se sucedia a abordagem.
Mas os verdadeiros navios de guerra da Idade Média eram as galés, navios finos, capazes de desenvolver velocidades relativamente elevadas, tanto navegando à vela como a remos. No entanto, tal como acontecia com as naus e as barcas, as galés, apesar de envergarem nos seus mastros grandes velas latinas, não conseguiam bolinar, devido ao seu reduzido calado. Por isso, durante as entradas e saídas dos portos e em combate, arriavam as velas e passavam a fazer uso dos remos. (De referir que é muito provável que, navegando com vento forte, as galés arriassem os bastardos e içassem vergas transversais envergando pequenas velas redondas)
Tanto nas galés como nos navios de vela utilizados em operações de guerra havia uma distinção clara entre o marinheiro e o homem de armas. Ao primeiro competia unicamente manobrar o navio e ao segundo combater. Nas galés havia ainda uma terceira classe de tripulantes: os remadores.
No tempo dos nossos primeiros reis eram utilizados os pescadores como remadores das galés. Em cada comunidade piscatória os seus membros estavam organizados em «vintenas», grupos de vinte pescadores, cada um dos quais a cargo de um vintaneiro, responsável pela sua mobilização quando lhe fosse ordenado pelo Rei. Mais tarde passaram a ser utilizados como remadores os condenados e os cativos mouros.

Galé - Séc.XII
GALÉ - século XII (segundo Björn Landstrom)

Covém referir que as galés tinham duas limitações importantes: a primeira é que, dada a sua configuração, aguentavam-se mal com vaga grossa; a segunda é que, devido à grande quantidade de gente que transportavam, entre soldados, marinheiros e remadores (cerca de duzentas pessoas), e ao pouco espaço de que dispunham para levar água e mantimentos, o seu raio de acção era muito limitado. Por isso, em viagens mais longas tinham de ser acompanhadas por naus, capazes de as reabastecerem de água e mantimentos e de recolher o produto dos saques que conseguissem fazer em território inimigo.
Em tempo de paz as galés do Rei conservam-se em seco, nos arsenais ou tercenas; os navios mercantes andam sempre com gente de armas a bordo por causa dos ataques dos corsários e piratas; em algumas cidades marítimas, pequenas flotilhas de duas ou três galés asseguram em permanência a segurança da navegação nas proximidades do porto; ao longo da costa, torres de atalaia mantêm uma vigilância contínua para assinalar a aproximação de navios suspeitos.
Em tempo de guerra o Rei manda armar as galés que estão nas tercenas, mobiliza os navios mercantes que estão nos portos e muitas vezes contrata corsários profissionais. Por esta altura ainda a estratégia naval não tem por finalidade a batalha e a obtenção do domínio do mar. As frotas são utilizadas principalmente para fazer incursões a longa distância em teritório inimigo (acções correspondentes aos fossados feitos por terra) ou para colaborar na conquista de uma cidade marítima. Quando uma frota pretende destruir a adversária a estratégia que normalmente adopta é tentar surpreende-la na sua base ou num fundeadouro onde esteja abrigada. Os encontros entre frotas adversas no mar são quase sempre encontros fortuitos.

A conquista da península Ibérica pelos muçulmanos foi uma empresa essencialmente terrestre uma vez que estes não dispunham de marinha. A marinha militar muçulmana só surge em meados do século IX com a necessidade de fazer face às invasões dos Vikings. Por essa altura é edificado o arsenal de Sevilha no qual começam a ser construídas galés. Mais tarde é criado um outro arsenal em Alcácer do Sal. Desaparecidos os Vikings, os Muçulmanos aproveitam o poder naval de que agora dispõem para fazer frequentes incursões na zona da costa atlântica que está na posse dos cristãos. Na mais famosa dessas incursões, em 997, uma grande armada organizada em Alcácer do Sal chega a Santiago de Compostela, que saqueia, lançando o pânico entre os Cristãos que não podiam imaginar que os Mouros fossem capazes de chegar tão longe.
Na sequência desta incursão o bispo de Santiago contrata técnicos genoveses que começam a construir galés na Galiza. A partir de então não será de estranhar que as principais cidades marítimas da costa atlântica na posse dos Cristãos, entre elas o Porto, Aveiro e Coimbra, tenham passado a dispor de flotilhas de duas ou três galés para defesa costeira. O que não oferece dúvidas é que, aquando da conquista de Lisboa em 1147, a frota portuguesa que acompanhou a armada de cruzados desde o Porto incluia uma armada de galés. Quantas seriam ao certo não sabemos, mas podemos especular que seriam perto de uma dezena.
Segue-se a descrição de algumas das principais batalhas e combates navais ocorridos nos cento e onze anos que decorrem entre 1139, ano em que D. Afonso Henriques começa a usar o título de Rei, e 1250, ano da conclusão da conquista do Algarve.

                Saturnino Monteiro                
em «Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa»


Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa

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Última actualização : 23 de Fevereiro de 2001
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