
A partir da segunda guerra anglo-holandesa (1665-1667) verificaram-se importantes progressos nos domínios da construção e da táctica naval, que se prolongaram por todo o século XVIII. No final do século XVII começam a ser usadas as velas triangulares de proa que gradualmente vão substituindo a cevadeira e a sobrecevadeira; por volta de 1727 generaliza-se o uso da roda do leme; a partir de 1745 deixa de usar-se a parte da vela de mezena que fica para vante do mastro; finalmente, a partir de 1770, a verga inclinada do mastro da mezena é substituída pelo conjunto carangueja-retranca.
Ainda em finais do século XVII o navio de guerra diferencia-se definitivamente do navio mercante, passando a dispor de um armamento muitíssimo superior, o que torna este último um elemento inútil para reforçar a coluna de batalha. Os navios de guerra característicos do século XVIII são a nau e a fragata, a primeira dispondo de 60 a 120 peças distribuídas por duas ou três cobertas e a segunda dispondo de 20 a 50 peças distribuídas por uma ou duas cobertas. As galés e os brulotes desaparecem. A artilharia naval passa a utilizar granadas incendiárias, mas a sua potência continua muito fraca, sendo raríssirnos os casos de navios afundados a tiro de canhão, incendiados ou tomados à abordagem. A batalha naval passa a resumir-se a um demorado duelo de artilharia, com os dois adversários rigorosamente formados em coluna, de que a maior parte das vezes resultam apenas avarias mais ou menos graves na mastreação e no aparelho e um número limitado de mortos e feridos. Quando o comandante de um navio entende que o adversário desfruta de nítida vantagem e já sofreu alguns estragos e baixas, rende-se, sem que isso seja considerado desonroso.
Na Marinha Portuguesa, o galeão, que tão má conta dera de si durante o período das lutas contra os Ingleses e contra os Holandeses, é finalmente substituído por naus e fragatas modernas copiadas das francesas e inglesas. Conforme já foi referido, os nobres vão sendo progressivamente substituidos por capitães de naus mercantes (com o título de capitães-de-mar-e-guerra) e por oficiais estrangeiros, especialmente ingleses, no comando dos nossos navios de guerra. Sob a esclarecida orientação do ministro Martinho de Melo e Castro (1770-1795), a administração da Marinha é profundamente reorganizada e modernizada. Em resultado de tudo isso, os nossos navios de guerra, sobretudo durante o reinado de D. Maria I, são de excelente qualidade. No aspecto quantitativo, a Marinha de Guerra Portuguesa, ao longo de todo o séculoXVIII, apresenta uma dimensão adequada para a defesa da nossa navegação contra os ataques dos corsários mas não para que possa ser utilizada como um trunfo no jogo da política internacional.
Segue-se a descrição de algumas das principais batalhas e combates navais ocorridos nos cento e trinta e nove anos que decorrem entre 1668, fim das guerras da Restauração, e 1807, ano da primeira invasão francesa.
Congo - 1669 (D.Jerónimo Manuel de Melo)
Surrate - 1689 (Lemos de Brito/Melo de Sampaio)
Surrate - 1689 (Francisco Pereira da Silva)
Damão - 1694 (António Machado de Brito)
Cabo Rasalgate - 1697 (Francisco Pereira da Silva)
Surrate - 1704 (Sousa de Meneses)
Rio de Janeiro - 1711 (Castro Morais/Costa de Ataíde)
Surrate - 1714 (Francisco Pereira da Silva)
Cabo Matapão - 1717 (Conde de Rio Grande)
Golfo Pérsico - 1719 (António de Figueiredo e Utra)
Saturnino Monteiro
em «Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa»
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