
Num barco de cruzeiros um mágico trabalhava para entreter os turistas. A rotina era a mesma
dia após dia, ano após ano, mas as audiências aplaudiam-no com entusiasmo. Os truques eram
suficientemente variados e assim não necessitava de se preocupar em aprender novos truques.
Como fiel espectador tinha um papagaio que do fundo da sala não perdia um único espectáculo.
Dia após dia, ano após ano. Por fim o papagaio já sabia como todos os truques eram feitos e
não tardou a embaraçar o mágico. Quando um ramo de flores desaparecia gritava:
- Atrás das costas! Atrás das costas!
Ou se um lenço se eclipsava:
- Na outra mão! Vejam a outra mão!!!
Claro que o mágico não suportava isto, e vontade de lhe torcer o pescoço não faltava, mas como o bicho pertencia ao comandante nada podia fazer.
Um dia o navio afundou-se e o mágico salvou-se agarrando-se a um tronco de madeira que flutuava
ali por perto. Na outra ponta já estava o nosso papagaio. Ficaram um em cada ponta, calados e
fitando-se mutuamente. Na manhã do quarto dia o papagaio finalmente dirigiu-se ao mágico:
- Está bem, eu desisto. Onde escondeste o barco?
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