
ASTROLÁBIO NÁUTICO
O astrolábio é um antigo instrumento para medir a altura dos astros
acima do horizonte. Atribui-se a Hiparco, o pai da astronomia e trigonometria,
a sua invenção. Ptolomeu designa por astrolábio a esfera armilar, que os
árabes combinaram com o globo celeste e aperfeiçoaram criando assim o astrolábio
esférico.
Aqui referimo-nos ao astrolábio
planisférico, uma simplificação que resulta numa projecção estereográfica polar
da esfera celeste sobre um plano. Os gregos já o conheciam mas foi através dos
árabes, que o introduziram na Península Ibérica, que chegou à Europa.

O instrumento era composto por um disco graduado, a madre, onde se achavam colocadas várias lâminas circulares. Essas lâminas eram também graduadas à superficie das suas margens, permitindo através da alidade determinar a altura de qualquer astro. A alidade girava em tôrno do centro comum da madre e de todas as lâminas. Cada uma das lâminas ou discos servia para uma determinada latitude. No séc.XI, Zarquial, um árabe da Península Ibérica, idealizou um astrolábio universal com uma só lâmina e que servia para qualquer lugar. Com o astrolábio plano resolviam-se problemas geométricos, como calcular a altura de um edifício ou a profundidade de um poço. Era também usado em astrologia.
O astrolábio naútico foi a simplificação do planisférico e tinha apenas a possibilidade de medir a altura dos astros. Inicialmente tinham a configuração da face posterior dos planisféricos. No entanto e com a experiência dos pilotos ganhou nova forma. Deixou de ser fabricado em chapa de metal ou madeira e passou a fundir-se em liga de cobre de modo a que o seu peso, cerca de dois quilos, o sujeitasse menos ao balanço do navio. O disco inicial foi parcialmente aberto para diminuir a resistência ao vento. A forma definitiva do astrolábio náutico fixa-se assim numa roda, de 15 a 20 cm., com dois diâmetros ortogonais no centro da qual gira a medeclina. Esta alidade dispõe de duas pínulas com orifícios através dos quais se visava o astro. Num dos extremos da medeclina é interceptada uma escala de 0 a 90 graus gravada nos quadrantes superiores da roda.

Para tomar a altura de um astro suspendia-se a roda na vertical pelo anel
de suspensão, movendo-se a medeclina até que o feixe luminoso do
sol atravessasse simultaneamente os dois orifícios das pínulas. A
observação directa do sol não é possível sem danos para a vista pelo que se
colocava, num plano inferior, um papel que assinalasse o feixe luminoso. Alguns
minutos antes do meio-dia movia-se a mediclina no sentido ascendente até
que, ao meio-dia solar, e num breve momento, a mediclina conservava-se
estacionária para em seguida mover-se no sentido inverso. Pela maneira de como
se efectuava esta operação era conhecida pelas gentes do mar como «pesar o sol».
A leitura da escala, interceptada então pela medeclina, indicava a
altura meridiana do sol que complementada com a consulta das tabelas de
declinação do sol permitia calcular a latitude
do lugar.
O Almirante Gago Coutinho é de opinião que o astrolábio apenas
servia para medir a altura do Sol e, numa travessia Atlântica a bordo da barca Foz
do Douro, demonstrou experimentalmente a impossibilidade de, em boas
condições, se visarem estrelas a bordo com um astrolábio
.

Nos primeiros tempos o zero da graduação encontrava-se na horizontal do quadrante mas no séc.XV o sentido da escala foi invertido agora com o zero na vertical do quadrante. Obtinha-se assim directamente na escala a distância zenital (complemento da altura) do astro suprimindo uma operação no cálculo da latitude, sempre complicado para os pilotos da época. Para o hemisfério Norte a fórmula da latitude é lat = (90º - h) + d o que simpificado dá lat = z + d (h-alt. do astro, d-declinação, z -dist.zenital).
Muitos exemplares espalhados pelo mundo foram fabricados em Portugal e exibem o nome ou as marcas do seu fabricante, como Agostinho de Gois Raposo, Francisco Gois e João Dias. Poucos astrolábios náuticos chegaram até aos nossos dias mas com o desenvolvimento da arqueologia subaquática foi possível recuperar mais exemplares. O número ascende agora a cerca de 80 e são mundialmente registados no Museu Marítimo de Greenwich. Além de um número de registo passaram também a serem conhecidos por um nome, normalmente relacionado com o navio ou o local onde foram encontrados.
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(1650) | (1575) | (1605) | (1616) | (1600) |
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(1575) | (1606) |
Em Portugal existem pelo menos dez exemplares nove dos quais no Museu de
Marinha em Lisboa formando a maior exposição permanente de astrolábios náuticos.
São o Sacramento, Santiago, Atocha III,
Atocha IV, Ericeira, Aveiro, S.Julião
da Barra 1, S.Julião da Barra 2 e S.Julião da Barra
3.
Aquele que é conhecido por Coimbra
, encontra-se no Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra, o
qual, devido às suas características, dimensões e peso, nunca foi usado a bordo
dos navios.
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