
Nomes de Barcos 
Já tem um nome para o seu barco? A escolha está complicada? De facto a escolha de um nome para o barco torna-se por vezes difícil. É a altura da família e dos amigos darem a sua opinião e ridicularizarem a nossa escolha. E aí começam os problemas...
Antigamente, e numa altura em que navegar era mais do que uma simples aventura, os nomes estavam
de alguma forma ligados a santos ou a divindades, invocando deste modo a sua protecção. Por exemplo
a frota de Vasco da Gama era composta entre outros pelas naus
S.GABRIEL e S.RAFAEL. As naus e galeões da carreira da Índia,
durante os séc.XVI e XVII tinham na sua esmagadora maioria nomes de santos.
Ainda hoje alguns barcos de pesca mantêm essa tradição e nomes como JESUS,
NOSSA SENHORA, S.JOÃO, VALHA ME DEUS ou similares são
muito usuais nesse meio. Nomes de mulheres ou relacionados com a família também são muito comuns
e podemos encontrar ANA MARIA ou NOVE IRMÃOS nos costados das suas embarcações.
Os pescadores têm ainda uma notável particularidade. É que os nomes em que tenho reparado são
todos em português!
A nossa Marinha de Guerra tem por tradição lembrar os nossos grandes navegadores e exploradores.
VASCO DA GAMA, CORTE-REAL, são exemplos disso. Aos submarinos são
atribuídos nomes de peixes, ou similares, como BARRACUDA e DELFIM.
Os navios da Escola Naval são baptizados com nomes de astros. O VEGA,
o POLAR e o saudoso SIRIUS.

Mas na marinha de recreio a imaginação não tem limites e o estrangeirismo é coisa muito comum. Deixamos aqui um conjunto de nomes de algumas embarcações de associados nossos, ligados com assuntos do mar ou simplesmente ao imaginário de cada um, com a intenção de o ajudar no nome do seu futuro novo barco:

É importante referir que se devem evitar nomes fonéticamente parecidos com "MEDÊ" ou "MAYDAY" ou ainda "PANE" ou "SECURITE". Isto porque as chamadas por rádio (VHF ou MF) a essas embarcações se poderão confundir com chamadas de socorro. Se não for de todo possível evitar essa fonética, então a chamada deve ser precedida de "IATE". Por exemplo, deve-se chamar uma embarcação de nome "TAN" não apenas pelo nome mas de "IATE TAN" ou "VELEIRO TAN" de modo a não haver confusões.
Interessante é saber a razão da ostentação de um determinado nome. Um dia destes dedicaremos um pouco de atenção numa pequena pesquisa sobre este assunto. Fica entretanto o convite a quem quiser divulgar a razão de um determinado nome, que nos diga o porquê.
A tradição lembra-nos que não se deve mudar o nome de uma embarcação (parece que torna o
barco um pouco aziago!), pelo que nem sempre sabemos a origem daquele. Por isso não se esqueça,
ao adquirir um barco usado, de perguntar a origem do nome.
E como de superstições está este mundo cheio, coincidência ou não, não temos notícia de outra
embarcação com o nome de TITANIC ...
Lembre-se que um nome não deve ser demasiado comprido, como aqueles nomes de família que mais
parecem uma árvore geneológica, ou difícil de pronunciar e ser objecto de grandes e embaraçosas
confusões.
Finalmente, depois de escolhido o nome vem o grande dia da cerimónia do baptismo.
Da origem desta cerimónia não há memória, mas com certeza que existe qualquer semelhança nas
cerimónias religiosas que antecederam a partida para o mar dos nossos antigos navegadores.
Sem a benção divina não havia com certeza protecção eficaz para as viagens. Nunca sabiam se
voltavam, e grande parte não voltava mesmo!
Hoje em dia a garrafa de espumante (champagne é demasiado caro, digamos antes um
desperdício) abençoa o nosso barco. Deverá ser escolhido um padrinho que partirá a garrafa no
casco (atenção! às embarcações de fibra ...) desejando deste modo uma longa vida no mar ... e a flutuar!
Cabe aqui contar a razão da suspensão da garrafa por um chicote de cabo antes de se quebrar no costado de um navio. Até 1811, em Inglaterra, esta cerimónia era desempenhada por um membro da família real. Porém, naquele ano, o Príncipe Regente, futuro rei Jorge IV, deu pela primeira vez o previlégio a uma dama da corte. Ora naqueles tempos a garrafa era simplesmente projectada contra o costado das embarcações. Pois a sorte nada quis com esta quebra do protocolo e a referida dama ao lançar a garrafa falhou o costado indo atingir um espectador, com tal gravidade que este pediu uma indemnização ao Almirantado. Desde aí, para garantir uma pontaria certeira e evitar problemas, começou-se a prender as garrafas.
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