A.N.C. - Provérbios


Associação Nacional de Cruzeiros


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PROVÉRBIOS


Quando quiseres mentir, fala no tempo que há-de vir.


Quase todos os provérbios se relacionam com o tempo. As previsões meteorológicas não existiam até há bem pouco tempo. A sabedoria e experiência dos marinheiros gerou alguns destes provérbios que aliados a alguma superstição permitia "prever", ou não, o estado do tempo ou mar de modo a poderem navegar com alguma segurança.
Aspecto do Céu
    Vermelho nascente que pronto descora,
    Tempo de chuva que está p'ra demora.

    Brilhante nascente que nuvens desfaz,
    Reúne a companha que bom tempo nos traz.

    Sol nascente desfigurado,
    No Inverno, frio, no Verão, molhado.

    Sol que nasce em nuvens sentado
    não vás ao mar fica deitado.

    Poente nubloso, vermelho acobreado
    Safa a japona, que o tempo é molhado.

    Sol posto ledo, com claro ao norte,
    Andar sem medo que estás com sorte.

    Nuvens aos pares, paradas, cor de cobre,
    É temporal que se descobre.

    Rosado sol posto
    Cariz bem disposto.

    Vermelha alvorada
    Vem mal-encarada.

    Nuvem comprida que se desfia
    Sinal de grande ventania.

    Miragem que espante
    Vento do levante.

    Com céu azul carregado,
    Teremos o barco em vento afogado.

    Mas se está claro, cheio de luz,
    Haja alegria, que o tempo é de truz.

    Foge de um céu azul aleitado;
    Ou desces à câmara ou ficas molhado.

    Céu pedrento, chuva ou vento,
    Não tem assento.

    Nuvens finas, sem ligação,
    Bom tempo, brisas de feição.

    Nuvens espessas e acumuladas,
    Ventanias certas e continuadas.

    Nuvens pequenas, altas e escuras
    São chuvas certas e seguras.

    Se grandes, correm desmanteladas,
    Mau tempo, velas rizadas.

    Castelos de nuvens sem nuvens por cima
    São chuvadas certas mesmo sem rimas.

Nevoeiro
    Se ao vale a névoa baixar, vai para o mar.
    Mas se p'los montes se atrasa, fica em casa.

    Depois de chuva, nevoeiro,
    Tens bom tempo marinheiro.

Aves Marinhas
    Se entra por terra a gaivota,
    É que o temporal a enxota.

    Quando a passarada berra,
    O marinheiro procura terra.

Chuva
    Se vem chuva e depois vento
    Põe-te em guarda e toma tento.

    Se tens vento e depois água,
    Deixa andar que não faz mágoa.

    Chuva miudinha como farinha
    Dá vento do norte mas não muito forte.

    Entre os Santos e o Natal
    É Inverno natural.

Arco-Íris
    Manhã com arco mal vai o barco.

    Se à tarde vem, é p'ra teu bem.

Relâmpagos e Trovões
    Horizonte puro, com fuzis brilhando,
    Terás dia brando, com calor seguro.

    Relâmpagosao norte, vento forte,
    Se do sul vem, chuva também.

    Poucos fuzis, trovões em barda,
    Rumo em que o vento se alaparda.

    Se um trovão seco no céu reboa,
    Temporal violento nos apregoa.

    Limpo horizonte que relampeja,
    Dia sereno, calma sobeja.

Lua
    Lua à tardinha com seu anel,
    Dá chuva à noite ou vento a granel.

    Lua com halo de grande aparato,
    É molha certa prá gente de quarto.

    Lua com circo,
    água traz no bico.

    Lua nova trovejada,
    trinta dias é molhada.

    Lua nova trovejada,
    Oito dias é molhada.
    Se ainda continua,
    É molhada toda a lua

    Lua empinada,
    Maré repontada

    Lua deitada
    Marinheiro em pé.

    Lua nova de Agosto carregou,
    Lua nova de Outubro trovejou.

    Lua Nova, Lua Cheia
    Preia Mar às duas e meia.

    Lua fora, lua posta
    Quarto de maré na costa.

    Céu limpo e lua no horizonte,
    de lá te virá o vento.

Vento
    Volta direita, vem satisfeita.
    Volta de cão traz furacão.

    Vento contra a corrente,
    Levanta mar imediatamente.

    De Espanha, nem bom vento,
    Nem bom casamento.

    Vento sudoeste mansinho e panga
    É de tremer dele, quando se zanga.

    Foi-se o nordeste, turvou-se o azul,
    Fugiu do norte, foi para o sul.

    Quando ao sol posto o norte é puro,
    Tens bom tempo seguro.

    Nordeste molhado,
    Não te dê cuidado.

    Vaga ao revés encrespada,
    Vai dar-te o vento saltada.

    Se um dia Deus quiser,
    Até com norte pode chover.

Estrelas
    Sem nuvens o céu e estrelas sem brilho
    Verás que a tormenta te põe num sarilho.

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Última actualização: 25 de Novembro de 2002
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