A.N.C. - Homem ao Mar


Associação Nacional de Cruzeiros



HOMEM AO MAR

Homem ao Mar

Perder um tripulante no mar deve ser a situação mais aflitiva para qualquer comandante. Todos nós já deixamos cair à água um chapéu ou outro qualquer objecto e apercebemo-nos da dificuldade que é tentar recuperá-los.
Saber o que fazer nestes momentos é o primeiro passo para aumentar-mos as probabilidades de êxito numa operação de salvamento. Abordamos aqui alguns métodos para enfrentar uma situação destas: alguns principios de como tentar evitar estas situações, a actuação os tripulantes a bordo, como deve ser efectuada a manobra da embarcação e alguns cuidados médicos.

Prevenção

Evitar o acidente deve ser a primeira regra de segurança e há pouco mais que lembrar do que este adágio popular:

Quer dizer: não faça malabarísmos a bordo e tenha sempre uma mão agarrada a um ponto do barco. O uso do arnês deve ser sempre obrigatório de noite, quando se está só na coberta ou durante mau tempo. O uso de colete não é nenhuma vergonha e apenas mostra sensatez. O colete deve ser adequado para quem o traz vestido; deve ter no mínimo um apito. Adicionalmente poderá conter um espelho heliográfico, uma lanterna de flash ou outro meio de localização nocturna. Alguns coletes comportam bolsos nos quais podemos trazer um pequeno VHF portátil, pequenos EPIRBs e mesmo uns fachos devidamente resguardados da água em sacos herméticos.
Muitas vezes o bom tempo e o estado calmo do mar fazem com que não se use naturalmente o colete, mas podemos ter um apito pendurado ao pescoço, pois não estamos livres de uma queda acidental para dentro de água.

Uma situação particularmente difícil é a navegação em solitário. O uso do arnez deve ser obrigatório, e mesmo assim não estamos livres de uma queda. Neste caso o retorno ao barco não é fácil e se formos arrastados a uma velocidade de uns 5 nós, a aproximação requer muito esforço. Se não tiver uma escada até à linha de água a subida para bordo é quase impossível. Não se esqueça por isso de ter uma escada para este efeito: fácil de ser alcançada e aberta quando estamos dentro de água. Quando aberta que pelo menos dois ou três degraus fiquem abaixo da linha de água. Acredite que mesmo assim subi-la vai ser esgotante!
Há quem deixe arrastado pela popa um cabo flutuante de uns 30 metros com uma defensa amarrada na ponta. Pode não ter o arnez posto naquele momento! Também se pode ter um cabo fixado em torno do costado e de maneira que forme seios com folga bastante para chegarem à linha de água, a fim de se poder agarrar a ele.

Praticar manobras deste tipo de acidentes deve ser efectuada com regularidade e pode ser efectuada lançando uma boia à água para simular o acidente. Este exercício permite que cada tripulante saiba exactamente o que fazer nesta situação.

... mas o acidente pode mesmo acontecer. E neste momento existem duas perspectivas: a dos tripulantes da embarcação e a do náufrago.

Embarcação

Passos básicos a efectuar pela tripulação quando alguém cai à água:

No caso do náufrago estar inconsciente e não poder colaborar, um dos tripulantes terá de saltar para a água (com colete e boia com retenida), e auxiliar no resgate do náufrago.
A próxima manobra será içar para bordo o acidentado, e quem tiver saltado para a água ...

Náufrago

Mesmo sabendo que pode ser difícil, a colaboração do náufrago é importante para o sucesso do salvamento. Deve tentar manter a calma e frieza nas suas decisões. Atitudes incorrectas e desesperadas podem difilcultar o salvamento ou pôr em risco a sua própria vida.

Em todos estes momentos, que se passarão num muito curto espaço de tempo, não será demais lembrar a calma de todos é o factor principal para o sucesso da operação.

Manobras

Qualquer manobra de «Homem ao Mar» visa uma aproximação rápida ao náufrago e está dependente se se navega a motor ou à vela, e do estado do mar e das condições meteorológicas.
É ao ao comandante que cabe a escolha mais adequada para cada situação. Mantenha-se sempre calmo para dominar correctamente a situação. Qualquer confusão nesse momento pode fazer a diferença entre o sucesso e o desastre.

A Motor

À Vela

Atenção: qualquer que seja o método usado, devemos ter em conta o abatimento provocado pelo vento ou pela corrente.

Içar para Bordo

Chega por fim a vez de içar o náufrago para bordo, caso ele não consiga subir para bordo pelos seus próprios meios, usando por exemplo uma escada (se tiver uns dois ou três degraus abaixo da linha de água será o ideal), ou, se o barco tiver uma, a plataforma à ré.
É uma operação já por si algo difícil, e se o náufrago não puder colaborar mais ainda.

Se a vítima estiver ferida ou inconsciente poderá ser necessário que um tripulante salte para a água para ajudar. Depois da operação concluída não se esqueça que ainda pode ter o homem que foi ajudar dentro de água ...

Cuidados Médicos

Quando finalmente temos o náufrago a bordo, devemos analisar o seu estado físico. Pode ter caído resultante de uma cambadela da retranca, ter ficado demasiado tempo dentro de água, perdido a consciência, etc.
Uma vez o náufrago a bordo, dispa-o das roupas molhadas e troque por umas secas.
Envolva-o num cobertor, saco-cama ou manta térmica e coloque-o próximo de uma fonte de calor. Mantenha a cabeça quente.
A vítima necessita neste momento calor externo que não consegue gerar. Se necessário use o seu corpo para o aquecer!
Dê ao doente comida energética e bebidas quentes, não a escaldar, como chá ou cacau, que deve ingerir devagar. Nunca dê bebidas alcoólicas!
Controle a redução da pulsação e o ritmo respiratório.
Peça assistência médica o mais rapidamente possível.

Analise possíveis sinais de hipotermia:

Se tiver inconsciente e sinais de ter água no pulmões siga os procedimentos de reanimação. Depois de reanimado, e mesmo que aparente um bom estado de saúde, a vítima deve ser observada num hospital. Deve por isso dirigir-se para o porto de abrigo mais próximo.


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Última actualização: 19 de Março de 2002
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