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Os Descobrimentos são considerados como uma das maiores aventuras e façanhas do Homem.
Foram os responsáveis pela evolução da ciência náutica, dos barcos e da navegação após séculos
de estagnação. Anteriormente os barcos usavam os remos como força propulsora principal e o uso
da vela era esporádicamente aproveitado com ventos de popa.
É apenas a partir do séc.XV, com o estudo e compreensão da acção do vento, que se começa dar um
uso adequado à vela latina de modo a um barco poder navegar mais eficazmente contra a direcção
do vento. É a altura da verdadeira inovação nos tipos de barcos e aparelho.
Estes barcos, que uniram o mundo conhecido ao desconhecido e mudaram a forma de pensar desde
então iniciando a transformação do mundo numa aldeia, são recordados nesta página.

A Ordem de Cristo, pela mão do Infante D.Henrique que era desde 1420 governador da Ordem, foi responsável pela realização desta epopeia, razão pela qual os barcos portugueses dos Descobrimentos ostentavam nas suas velas a Cruz de Cristo. Hoje essa tradição é evocada nas velas redondas do N.E. SAGRES II.
Este barco de boca aberta era usado em navegação costeira ou fluvial. A barcha deverá
corresponder a uma barca, mas de maior porte. Consoante o tipo teria entre 10 a 20
metros de comprimento e 2,5 a 3,5 metros de boca. Usada em viagens mais distantes tinha uma coberta.
Não tinha painel de popa e esta era redonda. De um só mastro com cesto da gávea envergava uma vela quadrangular.
Rápidamente se viu a conveniência em usar velas latinas que eram alternadas com o pano redondo
conforme os ventos. A tripulação era composta de 8 a 20 homens.
Gil Eanes dobrou em 1434 o Cabo Bojador numa barcha.

Pensa-se que a barca pescareza, destinada à faina de pesca e originária da região
de Lagos, foi empregue nos primeiros tempos da exploração marítima pelo Infante D.Henrique.
Tinha 13,5 metros de comprimento, 4,2 metros de boca e também era de boca aberta e popa redonda.
Tinha um só mastro onde envergava uma vela triangular latina e a sua parecença, ainda que em
tamanho fosse bem mais pequena, levou a que fosse também denominada de caravela da pesca.
Dependendo da missão podia levar de 10 a 22 tripulantes.
Com o desenrolar dos descobrimentos passou a ser usada como navio de apoio e graças à sua
ligeireza desempenhou ainda o papel de aviso nas armadas daquela época, razão pela qual
lhe deram o nome de mexeriqueira.
Todos estes barcos usavam remos como meio de propulsão auxiliar.
O Barinel parece ter origem no Mediterrâneo. Tinha maior porte que as barchas, com a proa alterosa a atirar para nau, toda recurvada e, como a caravela, de popa redonda. Calava mais que as barchas. Com um ou dois mastros tinha no maior mastro um cesto da gávea. Parece que além do habitual pano redondo podia mudar para latino. Armava ainda remos para tempo sem vento ou aproximação a terra.

Foi usado em viagens de exloração ao longo da costa africana, além do Bojador, mas a sua dificuldade na torna-viagem, devido ao seu pano redondo, fez com que fosse substituído pela caravela de pano latino.
É opinião corrente que o termo «caravela» proveio de «cáravo» (aportuguesamento do grego karabos ou do árabe qârib). Durante o séc. XV foi o barco ideal para as explorações do Atlântico e costa africana. O regime de correntes e ventos contrários obrigou ao desenvolvimento de um barco que bolinasse com mais eficácia e que calasse pouco para se aventurar nas explorações costeiras. Assim nasce a caravela que desde 1441 até à data da passagem do Cabo das Tormentas ou Boa Esperança tem o seu apogeu.
Não chegou até nós qualquer desenho ou informação detalhada deste tipo de barcos e apenas a
partir de pinturas e algumas descrições podemos hoje em dia calcular como eram na época.
Durante esse periodo houve vários tipos de caravelas. O caravelão
- aqui o ão funciona como diminutivo - de dois mastros até à caravela redonda
de quatro mastros.
Tinham uma coberta e um castelo de popa. Envergava nos mastros pano latino decrescendo de
tamanho da proa para a popa. Não tinham cesto da gávea já que a manobra de mudar as vergas com
este tipo de pano não o permitia. A tripulação variava entre os 6 e 100 homens consoante o
tipo de barco e a duração da viagem.

O caravelão (as réplicas "Bartolomeu Dias"
e "Boa Esperança" são caravelões!),
de 2 mastros, teria uns 20 metros de comprimento, 6 de boca e 40/50 toneis.
A caravela, de 3 mastros, variava dos 20 aos 30 metros de comprimento e dos 6 aos
8 metros de boca podendo chegar até 80 toneis.
A partir do final do séc. XV e princípios do séc. XVI
nasce a caravela redonda com 4 mastros e mas com pano redondo no traquete - mastro de vante.
Teriam chegado até aos 150 toneis. É este tipo de barco que vai dar origem aos famosos
galeões portugueses.
A partir do reinado de D.João II passaram a ser artilhadas com canhões no convés em vez das
das armas de pouco calibre (falconetas, bombardas) que até então levavam. Também era tradicional
trazerem dois olhos pintados à proa pois existia na época a crença de que assim veem o
caminho, tradição que perdurou até aos nossos dias como se comprova nos actuais barcos de
pesca.
Para evitar que outros países tivessem acesso aos novos conhecimentos técnicos e inovações
que a caravela possuía, esta foi alvo de rigorosas medidas de protecção que não permitiam
a venda daquela a estrangeiros nem o acesso aos carpinteiros que as construíam. As penalizações
iam, entre outras, até à expropriação de todos os bens de quem o fizesse.
Já se conhecia o regime de ventos do Atlântico, a costa atlântica de África tinha sido convenientemente explorada, tarefas essas levadas a cabo pelas caravelas. Depois da ida de Vasco da Gama à Índia as viagens já não eram de exploração e eram naturalmente mais longas. Por isso os navios tinham de ir melhor artilhados e sobretudo o espaço para a carga começava a desempenhar um papel fundamental. Nasce assim a nau que desde o séc. XVI até ao séc. XIX foi de 100/200 toneis até ultrapassar os 900 e mais.

No séc. XVI a nau tinha duas cobertas. A primeira, corrida de vante à ré,
abrigava o porão de carga, os toneis da aguada, os paióis de mantimentos, cabo, pano, e
munições. A segunda à proa constituia o pavimento do castelo de proa e à ré a tolda do capitão.
Tinha três mastros e cestos da gávea nos dois de vante. Aparelhava pano redondo nos mastros
da frente e latino no de mezena para ajudar a orça do barco. A tripulação ia de 25 a 30 homens.
Uma das mais célebres terá sido a S.Gabriel pela
façanha da descoberta do caminho marítimo para a Índia.
Veleiros portugueses
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