

O Creoula era um lugre de quatro mastros, sendo os reais em aço e os mastaréus
e gurupés em madeira (oregon pine). Todo o aparelho fixo era em cabo de aço e o de laborar em
manila.
Utilizava duas andainas de pano feitas pelos marinheiros de bordo em lona de algodão nr.2 e nr.4,
com tralhas em cabo de manila.
Cada andaina era composta por: giba, bujarrona, polaca, traquete, contra-traquete, grande e
mezena, mais três estênsulas como gavetopes de entremastros, e um pendão redondo de içar no
mastro do traquete. Além deste pano havia dois triângulos de tempo para envergar no mastro da
mezena.
Numa viagem de pesca normal , o Creoula navegava com 54 pescadores, 10 moços de
convés, 2 cozinheiros, 3 oficiais de máquinas, 2 oficiais de ponte e capitão. Nos 54 pescadores
estavam incluídos 9 marinheiros e um contramestre que acumulavam as suas funções com as da pesca.
O facto de este navio ser gémeo do Argus e do
Santa Maria Manuela
permitia a permuta de sobressalentes durante a campanha.
Este navio largava de Lisboa em fins de Março e seguia para os Bancos da Terra Nova, Nova Escócia e
St.Pierre et Miquelon onde pescava, se as condições o permitissem, até fins de Maio. Dirigia-se
então à Nova Escócia (North Sidney) ou à Terra Nova (St.John's), onde reabastecia de isco fresco,
mantimentos, combustível e aguada, seguindo para a Gronelândia, onde chegava em meados de
Junho, recomeçando a pesca no estreito de Davis (costa oeste) da Gronelândia, até aos 68º de
latitude Norte. Se não terminasse o carregamento até principios de Setembro, data tradicionalmente
estabelecida como limite para a pesca com dóris nestas paragens, regressava aos Bancos da Terra
Nova, onde voltaria a tentar a sua sorte até meados de Outubro.

Regressava então a Portugal (Lisboa), onde tinha a sua base nas instalações dos seus armadores
(no Rio Coina, Barreiro).
Durante o Inverno o navio era anualmente desmastreado, sendo revisto todo o seu aparelho fixo
e de laborar, bem como as duas andainas de pano.
Num ano de boa pesca o Creoula podia carregar 12.200 quintais de peixe verde
(salgado), correspondendo a cerca de 800 ton., bem como cerca de 60 ton. ede óleo de figado.
Este navio navegava normalmente a motor e à vela, pois era este o sistema que lhe proporcionava
melhor velocidade e qualidades de manobra. Em mau tempo fazia boa capa utilizando o triângulo
de tempo e a vela grande, se necessário rizada. Em boas condições de tempo alcançava facilmente
os 12/13 nós de velocidade, cumprindo a distância da Terra Nova a Lisboa em cerca de 9/10 dias.
Ainda na década de 70 o Creoula ainda partia para o Atlântico Norte de velas
içadas. Merecem aqui destaque os tripulantes desta derradeira frota de veleiros, os últimos
verdadeiros marinheiros de navegação oceânica à vela.

Em 1976, a Secretaria de Estado das Pescas, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura,
decidiu adquiri-lo, o que viria a ter lugar em 1980, para a instalação de um museu. Uma vez
constatado o seu ainda bom estado, foi decidido recuperar o Creoula e transformá-lo
em navio de treino de mar, para o que foi necessário transformar o porão de peixe em coberta para
60 instruendos, ampliar a enfermaria e a capacidade de aguada, instalar um refeitório, aumentar
as instalações sanitárias, alterar o lastro e substituir a madeira por aço nos mastros.
Em 1 de Junho de 1987 e de acordo com um despacho, o Creoula foi formalmente
entregue ao Ministério da Defesa Nacional, passando a ser designado como Unidade Auxiliar de
Marinha (UAM 201) e classificado como "navio de treino de mar".
Características
Uma viagem no Creoula.
Site oficial: www.marinha.pt/creoula
Veleiros portugueses
Página principal da A.N.C.
Coloque aqui o seu correio, sugestões, ou informações.