

Construído no Telheiro das galeotas reais à Junqueira o Sírius foi lançado à água
em 14 de Abril de 1877 na presença de suas Majestades.
O iate elegante e de muita estabilidade, tinha ao centro uma âncora com sofá em volta, aparadores
nos cantos e espelhos às amuradas. A estibordo, à ré, situavam-se a camarinha da Raínha e o
camarote da camareira. No bordo oposto encontrava-se o camarote do comandante. A vante, a
estibordo, via-se o camarim do Rei e a bombordo o camarote do ajudante de campo. No alojamento
de proa acomodavam-se o mestre e os sete tripulantes. Todo o casco submerso era de cobre.
Armava em caíque com duas velas bastardas, catita de bastardo e uma vela de proa. Depois das
experiências de mar, em que fez 11 nós com vento fresco, foi oferecido à Raínha D.Maria Pia.
A primeira regata em que participou foi em 4 de Setembro de 1877 num percurso de 75 milhas
determinado pelo Rei D.Luis. Por falta de vento teve de ser repetida em 11 de Setembro tendo o
Sírius sido desclassificado por transgredir o regulamento. Venceu a
regata de 15 de Agosto de 1878 promovida pela então Real
Associação Naval de Lisboa ainda aparelhado em caíque. Em 1879, apesar de se terem realizado
regatas, o Sírius não entrou porque se provara que tinha um andamento muito superior
ao de todos os outros iates.

A sua fama galgou fronteiras e D.Luis inscreveu-o para participar nas regatas internacionais de Nice.
Devido ao mau tempo chegou tarde e não pode tomar parte nas competições. De regresso a Portugal
arribou a Marselha e aí correu contra o iate francês Eugenie vencendo-o num
percurso de 8 milhas por 45 minutos. Por esse facto vários jornais franceses teceram-lhe os maiores
elogios, chegando vários construtores navais a examinar com detalhe a sua construção.
Posteriormente largou de Gibraltar ao mesmo tempo de um iate inglês e chegou a Lisboa com um
grande avanço o que o tornou ainda mais conhecido. Esta proeza chegou a Inglaterra e dois dos
melhores iates ingleses, a escuna Cetonia e o iole Gestrude,
resolveram vir até Lisboa e a 16 de Outubro de 1880 a Real Associação Naval organiza uma regata
internacional com sete iates inscritos. Os ventos não foram favoráveis e chegou primeiro o
Cetonia e o Gestrude seguido pelo Altair e o
Sírius.
Depois desta data rareiam informações sobre o barco.
Em 1887 armou em palhabote. Já neste século foi adaptado um pequeno motor de modo a facilitar
as manobras de entrada no porto.

Em 17 de Setembro de 1912 foi entregue à Escola Naval para instrução dos aspirantes função que desempenhou pelo menos até 1931. Mais tarde passou para o Clube Náutico dos Aspirantes. Passou desde 1953 pela Brigada Naval até que em 1974 voltou para a posse da Marinha.

Após a última regata, e sabendo já que o novo destino do Sírius seria o museu, o
então cadete João Carlos Agostinho Velez dedicou-lhe uma quadra (plagiando Camões):
Características:
Veleiros portugueses
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