Barquinha


Barquinha (Museu de Marinha)

Os primeiros meios para obter a velocidade de um barco eram pura e simplesmente por estimativa, ou melhor, a "olho". Deixando cair ao mar um objecto flutuante comparava-se assim o andamento do barco. Vê-se assim que a precisão obtida não favorecia uma navegação precisa, o que nos espanta hoje em dia a aventura que era navegar naquele tempo. A barquinha, ou barca, é dos mais antigos aparelhos que se conhece destinados a medir a velocidade de um barco. Existe quem atribua esta invenção ao português Bartolomeu Crescêncio, fins do séc.XV princípios do séc.XVI.

É constituído por uma peça de madeira de secção triangular, o Batel, cujo bordo arqueado é lastrado com chumbo de modo a ficar vertical na água. Num tambor, chamado Carretel, temos enrolado um cabo de massa que liga ao batel por um pé de galinha de duas pernadas. Uma, a maior, é fixa num orifício no vértice do arco sector. A outra mete-se com um ligeiro aperto de uma peça de madeira, chamada Cravelha, num furo próximo do arco do sector. Para facilitar a recolha para bordo deve-se de dar um esticão de modo a libertar a cravelha e diminuir assim a resistência da água no batel.

A parte importante deste odómetro é a sua graduação, constituída por marcas espaçadas no cabo de massa, feitas basicamente da seguinte maneira:

  1. A partir do batel deixa-se um comprimento de cabo igual ao comprimento da embarcação, colocando aí um trapo vermelho (a fim de evitar o efeito de esteira).
  2. A partir do trapo vermelho dá-se na linha um ou mais nós de barca, de 14.46 em 14.46 metros (o comprimento da linha entre dois nós, para um tempo de 30 segundos - 1/120 da hora - deve ser de 1852m/120 = 15.43m; no entanto a prática demonstrou que, para compensar algum arrastamento do batel na água, deve adoptar-se 14,46m).

Para a determinação da velocidade, o batel é deitado à água e o cabo de massa deixado desenrolar do carretel. Ao atingir a marca vermelha, o oficial que faz a operação, diz ao moço que segura a ampulheta, «vira», iniciando-se a contagem do tempo, durante 30 segundos. Mal esta acaba de correr o moço grita «topo», e faz-se a contagem do número de nós que saíram, sendo esse o valor da velocidade em milhas náuticas por hora. Para velocidades superiores a 6/7 nós usavam-se ampulhetas de 15 segundos e a velocidade obtinha-se duplicando o número de nós saídos. Diz-se assim que o navio andou ou «deitou tantas milhas».
Esta é a razão porque a unidade de velocidade na água passou a denominar-se . Se outrora a contagem do tempo era feita através de uma ampulheta, hoje, pode ser utilizado um vulgar relógio de pulso.

Nesta classe de instrumentos, denominada por odómetros rebocados, em que a barquinha se inclui, existe ainda a barca patente ou barca móvel. Este aparelho tem um hélice cujo movimento é transmitido a uma engrenagem acondicionada dentro de um tubo onde se encontra um mostrador indicando as milhas percorridas. Como vai a reboque tem de se metê-lo dentro todas as vezes que se pretende efectuar uma leitura.

Hoje em dia estão praticamente postos de parte na vida quotidiana de bordo, mas dado que são facilmente montáveis e desmontáveis, podem servir ainda como odómetros de emergência.

Men's BLACK PYRAMID