Barcos em Garrafas

Há quem atribua esta arte aos marinheiros, mas a origem parece no entanto estar situada nos inicios do séc.XVI nas chamadas garrafas de paciência. Estas tinham motivos e cenas religiosas e não custará muito crer que nas mãos de um marinheiro, que provávelmente já as conhecia, o interior da garrafa mudasse de tema.

Não se sabe quem começou a colocar barcos dentro de garrafas, nem quando isso aconteceu, mas uma garrafa, contendo um barco no seu interior, que contém informação sobre quando foi feita encontra-se no museu de Luebeck, na Alemanha, datada de 1784.

Os marinheiros, dependendo dos navios onde embarcavam, usavam todo o tipo de materiais à mão. Madeira, osso e marfim são vulgares na elaboração dos barcos. Faziam-no para passar o tempo livre e nos finais do século passado além de barcos também podiam-se ver cenas portuárias e outras relacionadas com temas marítimos.

   Sagres (Ocidental Réplicas)

E quem já não pensou como se metem barcos dentro de garrafas? Parece lógico pensar que como não passam pelo gargalo, com certeza que cortaram a garrafa na base ou noutro lado qualquer. Como não encontramos qualquer vestígio de corte ou colagem na garrafa, voltamos para casa intrigados.

   S.Gabriel (Ocidental Réplicas)

Em teoria até é simples mas a prática ficará para quem quiser experimentar. Não vamos aqui ensinar modelismo naval e assume-se que cada um, que se queira lançar numa actividade destas, terá um mínimo de habilidade manual. Além das ferramentas normais de modelismo haverá uma ou outra específica para trabalhar dentro da garrafa que terá de ser feita. Usa-se arames cuja função será empurrar ou endireitar velas, levar um pingo de cola mesmo ao fundo da garrafa, etc. pidamos então por várias fases o empreendimento.

Pensa-se primeiro qual o barco que vamos construir. A escala será importante porque condicionará a escolha da garrafa.

Garrafa com imperfeições no vidro não interessam. E o formato mais correcto? Redonda, quadrada, oval? Uma garrafa redonda exige um suporte onde aquela assente para não rodar, enquanto que uma quadrada pode dispensar o tal suporte. Não esquecer a altura dos mastros e o comprimento do gurupés (se tiver!). Um gargalo curto facilita o trabalho interno, mas o critério é de cada um.

Não esquecer de limpar bem o interior da garrafa.

Para colocar o mar, geralmente de plasticina ou similar, usam-se os tais arames. O casco do navio deve ser nesta altura provisóriamente colocado para moldar as ondas e o local onde irá ficar. Depois de retirá-lo retoca-se o mar e pinta-se a espuma das ondas.

E agora é aqui que reside o grande segredo. Os mastros são fixos de uma forma especial ao convés de forma a entrarem com este pelo gargalo e deitados com o topo para a ré. Todos eles estão ligados com os respectivos fios de suporte e ligação do aparelho, brandais, contra-estais e estai. Este último, está solto no ponto de fixação do pau da bujarrona e deverá ter o comprimento suficiente para que este chicote fique parcialmente fora do gargalo. Depois de ter enfiado cuidadosamente o barco pelo gargalo e colado no local préviamente moldado, chegou a altura de puxar o fio do estai que fará elevarem-se os mastros do ponto de fixação para as posições normais. Falta agora colar esse fio no gurupés e cortar o excedendente.

Por fim com as tais ferramentas de arame dão-se os últimos retoques para eventualmente endireitar velas, mastros ou qualquer outro objecto.

Até parece fácil não é? Mas não se preocupe porque se não tiver jeito ou paciência para se meter numa aventura destas, garrafas prontas a navegar não faltam por aí. Mais complicado será talvez arranjar com barcos portugueses, mas os mais conhecidos começam agora a aparecer engarrafados. Temos conhecimento da existência de garrafas com a Sagres, o Creoula, a nau de Vasco da Gama S.Gabriel, uma caravela e finalmente a fragata D.Fernando II e Glória.

  Caravela Portuguesa (Ocidental Réplicas)