Prumo


Prumo de mão

Dos primeiros instrumentos de navegação conta-se com certeza aquele que permitiu medir a altura da água por baixo de uma embarcação. Primeiramente talvez o pau ou a vara usada para deslocar o barco. E depois disso quem sabe se uma pedra atada a uma linha. Textos da antiguidade referem sondagens e mesmo navegação com este método o que pressupõe a utilização regular deste instrumento já naquelas épocas.

O historiador Heródoto refere-se a ele cerca de 500 AC quando se aproximava da entrada do rio Nilo vindo do mar. O primeiro desenho que se conhece de um prumo de mão aparece na obra Spieghel der Zeevaert (O Espelho do Marinheiro) de Lucas Wagenaer publicado em 1584.

"E sondando a profundidade, acharam-na de 20 braças; passaram assim uma curta distância e fizeram de novo sondagem, e acharam-na de 15 braças."

in Actos dos Apóstolos 27:28

Usado para profundidades até cerca de 20 braças, a sonda ou prumo de mão é composto por um cone alongado de chumbo, redondo, quadrado ou oitavado, de 3 a 5 Kg de peso e com uma alça no vértice superior onde se fixa a linha de prumo ou sondaresa. Na base uma cavidade é cheia com sebo para trazer amostras do fundo de modo a conhecer-se a sua natureza (areia, rocha, lodo, etc.).

A sondaresa é graduada em braças ou metros com um coiro na quinta braça ou metro. Uma pinha de anel marca a décima, dois coiros a décima quinta e duas pinhas a vigésima. As unidades intermédias são marcadas com nós.

O prumo grande, usado para grandes profundidades, tem uma chumbada de 15 a 20 Kg. Este tipo de prumo era empregado nos séc.XVI e XVII para reconhecer fundos que excediam as 200 braças. O prumo é jogado pelo prumador do bordo respectivo imprimindo à chumbada um vigoroso movimento de translação, de ré para vante, de modo que esta caia na água suficientemente a vante, para que, com o movimento do navio em marcha lenta, toque no fundo no instante em que a linha está na vertical.

Vários tipos de prumos apareceram ao longo dos tempos. O prumo de barca, idealizado pelo oficial da armada Guilherme Ivens Ferraz, tinha uma bóia de cortiça atravessada por um tubo de latão no qual passava a linha de sonda. Na parte superior do tubo um mordedouro especial permitia que a linha corresse livremente até que o prumo tocasse no fundo. Nesta altura a falta do peso do prumo fazia com que a linha ficasse apertada pelo mordedouro marcando assim a altura de água. Este sistema permitia que a linha corresse na vertical apesar do movimento da embarcação. Os prumos de patente permitem prumar com o navio em movimento em marcha lenta. O prumo de Brook e o prumo de Walker pertenciam a esta classe. Este último era constituído por um hélice que girando na sua queda até ao fundo transmitia o seu movimento a um mostrador. Depois, para leitura do registador, era içado sendo automaticamente travado o hélice por um dente.

Até praticamente a meados deste século o prumo de mão era de primordial importância para navegação. Ainda não havia sondas electrónicas ou eram demasiado dispendiosas para um uso generalizado. A sondagem realizava-se para se determinar sucessivamente a altura de água debaixo da embarcação de modo a evitar um encalhe ou ainda para se determinar o fundo para que largasse a âncora com segurança. Também até ao séc.XVIII a determinação da longitude com algum rigor era impossível e a sondagem era um dos métodos para se tentar obter um valor, muitas vezes errado.

Este é mais um dos instrumentos a reter a bordo para remediar eventuais avarias do chamado progresso.

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