S. Gabriel

Os navios do séc XV eram construídos na Ribeira das Naus em Lisboa ou nos estaleiros de S.Martinho do Porto, com madeiras cortadas nas matas da coroa, de preferência no pinhal de Leiria. Os três navios da expedição de Vasco da Gama foram construídos em Lisboa, com pinho de Alcácer, cortado em Janeiro e enterrado cerca de um ano para lhe dar maior resistência e longevidade. S. Gabriel , nau capitânea de Vasco da Gama, tinha como piloto Pêro de Alenquer, o já experimentado piloto que servira Bartolomeu Dias; o S. Rafael , capitaneado por Paulo da Gama, irmão de Vasco da Gama, e tinha como piloto João de Coimbra; o Bérrio (ou S. Miguel ?) capitaneado por Nicolau Coelho era pilotado por Pero de Escobar. Fazia igualmente parte da esquadra uma nau de mantimentos que seria propositadamente adquirida por D. Manuel a Aires Correia, nau que era comandada por Gonçalo Nunes.
De todos os navios, o S. Gabriel era sem dúvida o mais importante, não apenas por ser a nau almirante onde viajava o muito experimentado mestre mas também pelas suas características. Aparelhava com três mastros (grande, traquete, mezena), seis velas e uma lança à proa servindo de gurupés. Nos dois mastros de vante usava duas velas em cada, de pano redondo, e no mastro a ré, uma vela de pano latino. Esta conjugação de tipos de velame destinada a coordenar os factores velocidade e possibilidade de bolinas associada ao já relativo conhecimento dos ventos e correntes nos mares sulcados, induzia ao estabelecimento de rotas que permitissem desde logo aproveitar os ventos. Possuía ainda uma aparência alterosa e uma forma muito irregular com a proa e popa ornamentada com desenhos.

Relativamente à Cruz de Cristo, esta não terá sido utilizada nestes navios. Receava-se que a ostentação de um símbolo cristão fosse interpretada como uma provocação, originando reacções hostis que pudessem por em risco o sucesso da expedição.
As naus foram aparelhadas e preparadas para sair com grande quantidade de mantimentos e sobresselentes, como velas, âncoras e munições. Foram ainda concedidos privilégios e soldos nunca antes auferidos, o que revela a importância de que se revestia a viagem.

A armada partiu da praia do Restelo, em 8 de Julho de 1497, após celebração em procissão na Ermida; sete dias depois chegam às Canárias, para partir daí a alguns dias; os navios perdem-se de vista e apenas se voltam a encontrar no arquipélago de Cabo Verde, onde a armada permaneceu de 27 de Julho a 3 de Agosto. Levantam ferro de S. Tiago em direcção a Oeste a fim de aproveitarem os ventos alísios favoráveis do Atlântico, e navegaram 3 meses sem avistar terra; fundearam finalmente em Novembro, numa baía a que deram nome de Sta. Helena, e aí fizeram a aguada. O Cabo da Boa Esperança é dobrado a 22 de Novembro, e alcançaram, em 25 do mesmo mês a Angra de S. Brás, onde foi destruída, como estava previsto, a nau de mantimentos. Retomaram a sua viagem e a 2 de Março chegaram a Moçambique, para prosseguirem a Mombaça (7 de Abril), e a Melinde (13 de Abril), onde foram bem recebidos, contrastando com as recepções hostis em Moçambique e Mombaça cheias de episódios atribulados. É em Melinde que o sultão faculta o famoso e experimentado piloto do Índico Ahmed-Ibn-Madjid. Tendo partido de Melinde a 24 de Abril, avistam Calecute a 17 de Maio.

Após uma estadia conturbada, partem para a ilha de Angediva onde iniciam os preparativos de regresso ao reino, viagem iniciada em 5 de Outubro de 1498. A nau S. Rafael após rombo no casco devido a uns baixios perto da ilha de Moçambique, é abandonada beneficiando assim a S. Gabriel da herança de algumas peças sobresselentes e ainda da imagem do Arcanjo de S. Rafael (santo protector da família de Gama), hoje exposto no Museu de Marinha em Lisboa. Após a sua tripulação distribuída pelos outros dois navios, S. Gabriel e Bérrio já depauperados em termos humanos pelas agruras da viagem, o regresso prossegue; o capitão Paulo da Gama, adoece gravemente vindo a falecer na Ilha Terceira após lenta agonia. Finalmente, no dia 18 de Agosto de 1499 as naus S. Gabriel e Bérrio e os sobreviventes da expedição desembarcam em Lisboa onde foram triunfalmente recebidos.

Após esta viagem é natural que a nau tenha resistido alguns anos, havendo notícia, embora não confirmada, de que se trate da mesma embarcação (com o nome de S. Gabriel ) da armada do Vice-Rei D. Francisco de Almeida que, em 1505, partiu para a Índia. Em 1506, e após a substituição do mastro grande em Cochim, regressa a Lisboa em 3 de Maio de 1508.

Características

100 a 120 tonéis
Comprimento: cerca de 20 metros
Artilharia: 20 peças
Guarnição: aprox. 50 homens

Air Jordan XVIII 18