Segurança

A prevenção é a primeira regra da segurança. Saber o que fazer e como actuar nos momentos difíceis é meio caminho para evitar grandes problemas. Esta secção pretende alertar e ajudar a enfrentar as situações mais difíceis. Não nos podemos esquecer que os erros no mar podem sair caros tanto em vidas humanas como nas embarcações.

Os acidentes nem sempre acontecem aos outros e sobretudo acontecem sempre quando não se espera. Vale a pena ler a história de um naufrágio. Para levar a segurança em termos bem sérios!


Recomendações

Navegar não é apenas andar no mar. Saiba que grande parte dos acidentes são devidos a deficiente (ou inexistente) manutenção e a um excesso de confiança. Tenha em mente que se tiver um acidente provavelmente envolverá outras embarcações que poderão correr riscos para o salvarem! Não ponha em risco a sua vida e da sua tripulação.

Tabela com os meios de segurança por tipo de embarcação (de acordo com a Portaria nº 1464/2002).

 

Tipo de embarcação

Material

obs.

1

2

3

4

5
Balsa c/ disparo automático se tiver mais de 15 m.

Sim
c/ disparo automático

Sim
c/ disparo automático

Sim

Sim
se não tiver embarcação auxiliar

Não
Embarcação Auxiliar .

Não

Não

Não

Sim
se não tiver balsa

Não
Boia de salvação c/ 30 m. de retenida de 5m a 15m

1

1

1

1

1
de 15m a 24m

3

3

3

3

3
Boia de salvação c/ luz de 9m a 24m

1

1

1

1

1
Coletes . igual ao nr. de pessoas a bordo igual ao nr. de pessoas a bordo igual ao nr. de pessoas a bordo igual ao nr. de pessoas a bordo igual ao nr. de pessoas a bordo
Ajudas térmicas .

3

3

Não

Não

Não
Sinais visuais de socorro Pára-quedas

6

4

3

2

Não
Fachos de mão

4

4

3

2

2
se estiver fora da barra
Sinais de fumo

2

1

1

1

Não
Arneses com os respectivos cabos e ganchos

3

3

3

Não

Não
Respondedor de radar de 9 GHz quando o Dec. 174/94 for aplicado

Sim

Sim

Não

Não

Não
Bomba de esgoto uma delas manual

2

2

2

2

1
Escada de acesso se a diferença entre a linha de água e o bordo for > que 0,5 m

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim
Extintor de pó químico 1 Kg

1 no salão
1 na cozinha

1 no salão
1 na cozinha

1 no salão
1 na cozinha

1 no salão
1 na cozinha

1
2 Kg

1
junto ao motor interior

1
junto ao motor interior

1
junto ao motor interior

1
junto ao motor interior

1
junto ao motor interior
VHF .

Sim

Sim

Sim

Sim

Não
VHF portátil quando o Dec. 174/94 for aplicado

Sim

Sim

Não

Não

Não
Rádio balizas 406 MHz ou
INMARSAT

Sim

Sim

Sim ou
121,5 MHz

Não

Não
Recepção de informação de segurança NAVTEX ou
(EGC) INMARSAT

Sim

Sim

Não

Não

Não
Receptor HF

Sim

Sim

Não

Não

Não
Agulha magnética .

1
c/ desvio < 5º

1
c/ desvio < 5º

1
c/ desvio < 5º

1

1
Aparelho azimutal .

1

1

1

1

Não
Publicações e cartas náuticas da área onde navega e devidamente actualizadas

Sim

Sim

Sim

Sim

Não
Reflector de Radar .

Sim

Sim

Sim

Sim

Não
Equip. sonoro
Buzina/Sino
.

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim
Ferro de fundear .

2

2

2

2

1

Para todas as embarcações é necessário ainda:

  • Navalha de ponta redonda
  • Lanterna estanque com pilhas de reserva e lâmpada sobressalente
  • Espelho de sinalização diurno

Pratique

  • Tire um curso de navegador de recreio. Tenha em atenção que não interessa apenas «tirar a carta». Deve adquirir a prática necessária para uma navegação segura.
  • A sua prática e da tripulação são essênciais para quando as coisas correm mal não fiquem pior.

Antes de sair

  • Não o faça apressadamente. Prepara a saída com calma.
  • Verifique as condições meteorológicas. Consulte o boletim meteorológico, a rádio, NAVTEX ou peça pelo VHF a meteorologia para o seu local e navegação.
  • Verifique que o barco e o equipamento está em condições. Manutenção a embarcação regularmente.
  • Certifique-se que o motor está em condições de ser usado. Não se esqueça do combustível e de uma caixa de ferramentas.
  • Certifique-se que tem o equipamento de segurança a bordo. Coletes, pirotécnicos, rádio, etc.
  • Planeie o cruzeiro. Duração, percurso, quartos, portos de abrigo, rumos, etc.
  • Leve consigo cartas, tabelas de marés e demais publicações náuticas.
  • Tenha o hábito de informar as autoridades da sua saída, informando o destino e a hora estimada da chegada.
  • Deixe as informações necessárias com um contacto em terra. Datas de partida e chegada, portos de destino, descrição do barco (nome, tipo, tamanho, etc.), lista de pessoas a bordo (nomes, idades, etc.). Qualquer alteração deve ser transmitida à pessoa de contacto em terra.
  • Conheça as suas limitações como as da tripulação para a viagem que pretende fazer. Navegue apenas de acordo com a sua capacidade e a do barco.
  • Tenha a bordo coletes e arnezes para toda a tripulação. Explique-lhes o seu uso.
  • Todos devem saber o que fazer em caso de uma situação de Homem ao Mar.
  • A tripulação deve estar equipada para o frio ou protegida do sol.

Durante a navegação

  • Vigie a sua navegação e respeite as normas internacionais para evitar albarroamentos.
  • Permaneça atento à evolução do tempo. No caso das condições meteorológicas piorarem inesperadamente, não corra riscos e procure um porto de abrigo.
  • Exija que a tripulação use os meios de segurança. Coletes e arnês.
  • Mantenha escuta permantente em canal 16 no VHF.
  • Tenha cuidado ao fumar. Os incêndios a bordo são normalmente desastrosos.
  • Não se esqueça de fechar a bilha de gás quando não a estiver a usar.
  • Não confie no acaso. No caso de dúvida peça socorro. Não deixe passar o tempo. Lembre-se que é mais fácil encontrá-lo com luz do dia do que de noite.

Emergência

  • Usar o VHF no canal 16. O telemóvel tem um alcance limitado, mas próximo de terra é um meio adicional (não alternativo) ao VHF.
  • Chame a atenção com a buzina de nevoeiro ou apito.
  • Se depois do pedido de socorro tiver entretanto resolvido o problema, avise de modo a cancelar as operações de salvamento.
  • Ao receber um pedido de socorro, avise as autoridades e outras embarcações. Socorra a embarcação o mais rapido possível, desde que não coloque a sua em perigo.
  • Tenha os seus pirotécnicos resguardados num contentor à prova de água . Leia com tempo as suas instruções. Em caso de emergência provavelmente não terá tempo para o fazer!
  • Guarde a caixa de primeiros socorros numa caixa estanque e local apropriado.
  • Deve ter sempre um ferro e amarra suficiente, preparado para qualquer emergência.
  • Um reflector de radar é importante para que seja mais facilmente localizado.

Meios alternativos de propulsão

  • Um par de remos ou um pequeno fora-de-bordo são o mais aconselhável.
  • Um depósito de combustível suplente.
  • Tenha preparado uns cabos para reboque.

Farmácia

A farmácia legalmente obrigatória será suficiente para pequenas viagens, mas insuficiente para grandes cruzeiros, sobretudo com uma permanência de alguns dias no mar. Em alguns portos poderá mesmo não existir a garantia de assistência medicamentosa sendo esta sugestão de farmácia um meio de prevenção.

A farmácia deverá ser estanque e ser guardada num local fresco, próximo da linha de água e de fácil acesso. Deve ter em atenção ao prazo de validade dos medicamentos.

Segundo as tabelas A, B e C da portaria 1464/2002 de 14 de Novembro as embarcações devem ser portadoras do equipamento de primeiros socorros descritos a seguir consoante a classificação da embarcação.

  Tipo de embarcação
Material obs. 1 e 2 3 e 4 5
Pensos preparados sortidos
(pensos rápidos)
  1 caixa de 20 1 caixa de 20 1 caixa de 20
Pensos preparados 10 cm X 10 cm 1 caixa de 10    
Ligadura de crepe ou gaze
com alfinete-de-ama
  7cm X 4m 7cm X 4m 7cm X 4m
Ligadura de crepe ou gaze
com alfinete-de-ama
  15cm X 4m 15cm X 4m  
Ligadura de tronco   1    
Compressas esterilizadas 10 cm X 10 cm 1 caixa 12 unid.  
Dedeira   1 1  
Algodão hidrófilo pacote de 25 g 1 1  
Álcool puro 500 cm3 1 1  
Água oxigenada 250 cm3 3 1  
Pomada anti-séptica tipo cetrimide 1 tubo 1 tubo  
Pomada analgésica e
antipruriginosa
tipo nupercainal 1 tubo    
Aspirinas   20 compr. 20 compr.  
Comprimidos para enjoo   20 compr. 20 compr.  
Comprimidos antidiarreicos   1 emb.    
Antibiótico de largo espectro   1 emb.    
Antiespasmódico drageias, cápsulas
ou supositórios
1 emb.    
Adesivo bobina estreita 1 rolo    

O livro de primeiros socorros Guia Médico Internacional para Barcos - Ed. Organização Mundial de Saúde é um complemento obrigatório desta farmácia. Não se esqueça também que se pode socorrer em termos médicos das estações de rádio, pelo que deve levar consigo quais as estações das regiões onde pensa navegar e as respectivas frequências.

A farmácia representada de seguida foi a recomendada para o nosso cruzeiro Brasil500, que achamos suficientemente completa para quase todo o tipo de viagens. Além dos medicamentos abaixo citados (Atenção: os nomes comerciais referidos são meros exemplos e não têm qualquer intuito propagandístico) deverão não se esquecer a medicamentação que poderão estar a tomar no momento. Também dependente para onde se navega, pode ser preciso levar anti-palúdicos e inclusivé vacinação (febre-amarela, etc.).

Fármacos anti enjoo Destoxicantes Digestivos Sais de reposição Antihistamínicos Antibióticos
  • Nausef
  • Strugeron forte
  • Enjomin (supositórios)
  • Primperan (supositórios)
  • Guronsan
  • Sais de Frutos
  • Pankreon forte
  • Huberlitran
  • Fenistil gel
  • Fenistil retard (comprimidos)
  • Augmentin
  • ESE 1000
Tratamento das queimaduras Protetores de picadas de insectos Tratamento de picadas Anti-inflamatórios Infecções de Pele Ouvidos
  • Caladril
  • Tabard
  • After byte
  • Nimed
  • Nolotil
  • Traman
  • Fucidine
  • Otocalma
Pomadas para massagem Regularizadores da flora intestinal Antidiarreicos antibióticos Corticoides Material anestésico tópico  
  • Hirudoide
  • Ultralevure 250
  • Dimicina
  • Meticorten
  • Spray de Cloreto de etilo
 
Analgésicos e antipiréticos Vasodilatadores coronários Broncodilatadores Colírios    
  • Aspirina
  • Ben-u-ron
  • Nitromin
  • Aminofilina
  • Visadron
  • Davicaína
   
Material de penso Instrumentos Diversos Protectores solares    
  • Betadine
  • Micotopsym
  • Água Oxigenada
  • Álcool
  • Adesivo
  • Gaze e gaze gorda
  • Pensos rápidos
  • Algodão
  • Ligaduras elásticas de 5 e 10 cm
  • Créme gordo ou vaselina
  • Talas
  • Steril Strip
  • Agulhas e linha de sotura
  • Tesouras
  • Pinças
  • Lâmina bisturi
  • Termómetro
  • Luvas esterilisadas
  • Alfinetes d'Ama
  • Colar cervical
  • Manta térmica
  • Soro Fisiológico
  • Cold-Bag (gelo instantâneo)
  • Cremes solares (factores altos)
   

Homem ao Mar

Perder um tripulante no mar deve ser a situação mais aflitiva para qualquer comandante. Todos nós já deixamos cair à água um chapéu ou outro qualquer objecto e apercebemo-nos da dificuldade que é tentar recuperá-los.
Saber o que fazer nestes momentos é o primeiro passo para aumentar-mos as probabilidades de êxito numa operação de salvamento. Abordamos aqui alguns métodos para enfrentar uma situação destas: alguns princípios de como tentar evitar estas situações, a actuação os tripulantes a bordo, como deve ser efectuada a manobra da embarcação e alguns cuidados médicos.

Prevenção

Evitar o acidente deve ser a primeira regra de segurança e há pouco mais que lembrar do que este adágio popular:

  • «Uma mão para o barco e a outra mim»

Quer dizer: não faça malabarísmos a bordo e tenha sempre uma mão agarrada a um ponto do barco. O uso do arnês deve ser sempre obrigatório de noite, quando se está só na coberta ou durante mau tempo. O uso de colete não é nenhuma vergonha e apenas mostra sensatez. O colete deve ser adequado para quem o traz vestido; deve ter no mínimo um apito. Adicionalmente poderá conter um espelho heliográfico, uma lanterna de flash ou outro meio de localização nocturna. Alguns coletes comportam bolsos nos quais podemos trazer um pequeno VHF portátil, pequenos EPIRBs e mesmo uns fachos devidamente resguardados da água em sacos herméticos.
Muitas vezes o bom tempo e o estado calmo do mar fazem com que não se use naturalmente o colete, mas podemos ter um apito pendurado ao pescoço, pois não estamos livres de uma queda acidental para dentro de água.

Uma situação particularmente difícil é a navegação em solitário. O uso do arnez deve ser obrigatório, e mesmo assim não estamos livres de uma queda. Neste caso o retorno ao barco não é fácil e se formos arrastados a uma velocidade de uns 5 nós, a aproximação requer muito esforço. Se não tiver uma escada até à linha de água a subida para bordo é quase impossível. Não se esqueça por isso de ter uma escada para este efeito: fácil de ser alcançada e aberta quando estamos dentro de água. Quando aberta que pelo menos dois ou três degraus fiquem abaixo da linha de água. Acredite que mesmo assim subi-la vai ser esgotante!
Há quem deixe arrastado pela popa um cabo flutuante de uns 30 metros com uma defensa amarrada na ponta. Pode não ter o arnez posto naquele momento! Também se pode ter um cabo fixado em torno do costado e de maneira que forme seios com folga bastante para chegarem à linha de água, a fim de se poder agarrar a ele.

Praticar manobras deste tipo de acidentes deve ser efectuada com regularidade e pode ser efectuada lançando uma boia à água para simular o acidente. Este exercício permite que cada tripulante saiba exactamente o que fazer nesta situação.

... mas o acidente pode mesmo acontecer. E neste momento existem duas perspectivas: a dos tripulantes da embarcação e a do náufrago.

Embarcação

Passos básicos a efectuar pela tripulação quando alguém cai à água:

1 - Gritar imediatamente "HOMEM AO MAR" para que todos a bordo acorram para se iniciar a operação de resgate.
2 - Lançar a boia de ferradura (qualquer objecto flutuante como uma defensa, também serve) e se tiver uma "boia de marcação ou sinalizadora" o mais próximo possível do náufrago (sem acertar no náufrago!) e não perder nunca de vista a vítima. Se for de noite lance também o facho luminoso (não se esqueça de ter colocado pilhas!) junto com a boia.
Se for de dia, e o mar estiver bastante agitado, pode atirar para próximo do náufrago um dispositivo de fumo laranja, para facilitar a visualização da posição do náufrago.
É muito importante que um tripulante esteja exclusivamente dedicado a vigiar a posição da vítima, para que o comandante e restante tripulação concentrem a sua atenção nas manobras de bordo.
3 - Ao mesmo tempo várias operações devem ser efectuadas simultaneamente dependendo do número de tripulantes a bordo:4 - Inicie a monobra de resgate mais adequada à situação.
5 - Se a situação passar a uma operaçao de busca, içar de imediato a letra "O" do CIS e difundir "MAYDAY" via VHF / MF. Se as condições do mar permitirem, pode subir para a retranca junto ao mastro ou na cadeira de mastro, pois aumentará o campo de visão.

a) accionar o dispositivo electrónico no GPS ou similar de MOB (man over board)
b) a tripulação deve ocupar os postos de manobra. É altura de diminuir a velocidade, folgando o pano ou mesmo recolhendo-o. Se estiver muito vento e tiver o balão içado solte-o para a água! Pode recolhê-lo mais tarde. Ligue o motor em ponto-morto.
c) prepare um cabo, preferêncialmente flutuante, com uma laçada ou um nó no chicote para lançar à vítima

No caso do náufrago estar inconsciente e não poder colaborar, um dos tripulantes terá de saltar para a água (com colete e boia com retenida), e auxiliar no resgate do náufrago.
A próxima manobra será içar para bordo o acidentado, e quem tiver saltado para a água ...

Náufrago

Mesmo sabendo que pode ser difícil, a colaboração do náufrago é importante para o sucesso do salvamento. Deve tentar manter a calma e frieza nas suas decisões. Atitudes incorrectas e desesperadas podem difilcultar o salvamento ou pôr em risco a sua própria vida.

  • Quando o acidentado cai à água deve garantir que a bordo se aperceberam da sua queda. Grite e use o apito que está no colete se necessário.
  • Verifique que o colete está bem vestido e se tiver um colete insuflável, accione o dispositivo automático ou de sopro para o encher.
  • Aproxime-se da boia ou outros objectos que atiraram da embarcação (fumos, defensas, boia de marcação). Não nade em direcção ao barco desperdiçando energias. Eles procurarão ir ter consigo.
  • Mantenha o contacto visual com o barco.
    O náufrago deve entender que apesar de poder estar a ver a embarcação, e provavelmente apenas o mastro com a vela içada, a tripulação desta pode não estar em contacto visual com ele por via da ondulação e da oscilação desfazada entre eles. Assim apenas quando o náufrago tiver contacto visual com tripulantes deve fazer um esforço para agitar os braços acima da água de modo a chamar a atenção. Lembre-se que a bordo existe um empenho para encontrá-lo.
  • Para se proteger do frio coloque-se em posição fetal (joelhos junto ao peito e braços abraçados a estes). Assim desperdiça menos energia. Nos meses de Verão pode-se entrar em hipotermia em menos de uma hora!
  • Dependendo sempre das condições do mar, uma das manobras mais seguras e talvez mais fácil para aproximação de um náufrago será a aproximação da embarcação com um cabo flutuante preso pela popa e com uma boia no seu extremo. A embarcação deve navegar num círculo, afastada do náufrago para não colidir com ele, mas de modo a que o cabo passe próximo deste. O acidentado deve então agarrar e colocar a boia (que deverá ser do tipo «ferradura»!) e fechá-la pela abertura.
    Aguarde que o puxem. Tem tempo de dispender esforço quando for para subir para bordo!

Em todos estes momentos, que se passarão num muito curto espaço de tempo, não será demais lembrar a calma de todos é o factor principal para o sucesso da operação.

Manobras

Qualquer manobra de «Homem ao Mar» visa uma aproximação rápida ao náufrago e está dependente se se navega a motor ou à vela, e do estado do mar e das condições meteorológicas.
É ao ao comandante que cabe a escolha mais adequada para cada situação. Mantenha-se sempre calmo para dominar correctamente a situação. Qualquer confusão nesse momento pode fazer a diferença entre o sucesso e o desastre.

A Motor

  • Como vai a motor dê uma guinada para o bordo da queda para afastar a popa e evitar que o náufrago seja colhido pelos hélices.
  • A manobra é relativamente simples e se não tiver contacto visual com a vítima ou não conseguir encontrá-la, volte para trás pela esteira do barco. Ela mantém-se viva durante alguns minutos e o náufrago deverá estar perto dela. Neste caso pode usar a Manobra de Butakoff.
  • Aborde a vítima lenta e cuidadosamente por barlavento e de modo a que durante a operação o barco não se afaste com o vento da vítima. No caso de grande agitação marítima é preferível deixar a vítima do lado de barlavento para que o barco não caia para cima dela.
    Quando estiver perto lance-lhe um cabo.


    Deixe o náufrago a sotavento
  • Com muita ondulação e vento a manobra é sempre complicada pois a embarcação pode atingir com alguma violência o náufrago. Será preferível arrastar um cabo flutuante com uma boia na extremidade, e passar pela vítima a barlavento fazendo um pouco depois uma curva apertada para o lado em ficou a vítima. Esta deverá apanhar o cabo que passa ao lado dela.
    Imobilize o barco e puxe o cabo para depois içar a vítima para bordo.
    Esta é uma manobra idêntica à que os esquiadores usam para recuperar o esquiador com o cabo de reboque.
  • Tenha cuidado se for a arrastar cabos pela água para não os enrolar no hélice e agravar a situação.



    Círculo apertado em torno da vítima

    Curva ou Manobra de Butakoff - Nesta manobra o leme é carregado até a embracação se ter desviado 60º do rumo inicial, carregando-se nesse momento o leme todo até atingir o rumo inverso do inicial. Se a manobra for correctamente efectuada o navio regressa aproximadamente sobre o caminho que vinha percorrendo.

  • Esta manobra é recomendada para os casos em que o náufrago não está à vista, quer por o navio se ter afastado demasiado, quer por o acidente ter ocorrido de noite.


    Curva de Butakoff

À Vela

  • Ligue o motor e mantenha-o em ponto-morto. Tenha em atenção a eventuais cabos na água!
  • À Popa - ao navegar à popa, continue no mesmo rumo por uns dois a três comprimentos. Depois passe a um largo e navegue aproximadamente outros três comprimentos. Agora deve virar por davante e ficará num rumo directo ao náufrago.
    Quando estiver perto folgue o pano para imobilizar o barco.


    À Bolina ou Largo - se estiver a navegar à bolina continue a sua orça durante mais uns dois a três comprimentos. Depois cambe rápidamente e orce em direcção ao náufrago de modo a que este fique a sotavento. Quando se aproximar deste folgue todo o pano e deixe-o bater. Quando estiver ao lado da vítima arreie o pano para que o barco não inicie a marcha.

  • Com vento muito forte não é aconselhável cambar, pois corre sérios riscos, como partir o mastro ou danificar o aparelho. Neste caso opte pela manobra «em oito».


    Oito - esta técnica, apesar de um pouco mais lenta, é mais segura com mau tempo ou com pouca tripulação. É a melhor alternativa à manobra anterior pois evita cambadelas que podem ser perigosas.

  • Altere o rumo de modo a receber o vento pela alheta. Ao cruzar uma linha imaginária que faz um ângulo de 90º entre o náufrago e o vento vire por davante e arribe. Siga nesse rumo até que possa orçar até à vítima. Folgue o pano quando chegar próximo dela.
    Para ajudar a orça, pode usar o motor!
    Folgue depois o pano quando se aproximar da vítima.


    Atenção: qualquer que seja o método usado, devemos ter em conta o abatimento provocado pelo vento ou pela corrente.

Içar para Bordo

Chega por fim a vez de içar o náufrago para bordo, caso ele não consiga subir para bordo pelos seus próprios meios, usando por exemplo uma escada (se tiver uns dois ou três degraus abaixo da linha de água será o ideal), ou, se o barco tiver uma, a plataforma à ré.
É uma operação já por si algo difícil, e se o náufrago não puder colaborar mais ainda.

  • Se tiver um bote auxiliar use-o como plataforma. O náufrago deve primeiro subir para bordo do bote e depois servindo-se deste, mais facilmente subirá para bordo.
  • Para facilitar podemos içar a vítima com a ajuda de uma adriça caçando-a com o molinete. Prenda a adriça à vítima (ex: ao arnez, alguns coletes têm pontos de fixação) de modo a não ferir e ice-a. Ajude puxando-a pelos sovacos com as costas viradas para o costado.
  • Também podemos usar outro método, que é o de pendurar o náufrago pelo argolão do colete através da escota da vela grande e com a retranca a fazer de pau de carga.
  • Ainda outra técnica é usar as velas. Se for com a grande, arrea-a soltando a testa por completo da calha, mas mantendo a esteira na retranca. Pode também prender uma vela mais pequena, como um estai, pela testa ao casco. A vela deve ser então atirada para a água de modo a poder colocar depois a vítima deitada por cima desta e paralela ao casco. Seguidamente ice lentamente a vela com a adriça pelo punha da pena, com o náufrago deitado como mostra a figura.

Se a vítima estiver ferida ou inconsciente poderá ser necessário que um tripulante salte para a água para ajudar. Depois da operação concluída não se esqueça que ainda pode ter o homem que foi ajudar dentro de água ...

Cuidados Médicos

Quando finalmente temos o náufrago a bordo, devemos analisar o seu estado físico. Pode ter caído resultante de uma cambadela da retranca, ter ficado demasiado tempo dentro de água, perdido a consciência, etc.
Uma vez o náufrago a bordo, dispa-o das roupas molhadas e troque por umas secas.
Envolva-o num cobertor, saco-cama ou manta térmica e coloque-o próximo de uma fonte de calor. Mantenha a cabeça quente.
A vítima necessita neste momento calor externo que não consegue gerar. Se necessário use o seu corpo para o aquecer!
Dê ao doente comida energética e bebidas quentes, não a escaldar, como chá ou cacau, que deve ingerir devagar. Nunca dê bebidas alcoólicas!
Controle a redução da pulsação e o ritmo respiratório.
Peça assistência médica o mais rapidamente possível.

Analise possíveis sinais de hipotermia:

  • No início
  • tiritar descontrolado
  • dificuldade em respirar
    À medida que a temperatura desce
  • tiritar diminui
  • irritação e fala enrolada
  • razão desnexa
  • falta de coordenação muscular
  • abrandamento da pulsação
  • abrandamento da respiração
  • perca de consciência
  • arritmia cardíaca

Se tiver inconsciente e sinais de ter água no pulmões siga os procedimentos de reanimação. Depois de reanimado, e mesmo que aparente um bom estado de saúde, a vítima deve ser observada num hospital. Deve por isso dirigir-se para o porto de abrigo mais próximo.


Incêndio a Bordo

De todos os horrores que podem preocupar um navegador de uma embarcação de recreio, um incêndio a bordo deve ser o pior. Um barco moderno tem um potencial de inflamação que mais parece uma bomba flutuante. A fibra do casco, as tintas, os tecidos sintéticos (velas, coberturas das camas), o gás de cozinha, o combustível, os pirotécnicos, etc. Como elementos de ignição para despoletar toda aquele perigosa energia basta um curto-circuito na instalação eléctrica, um cigarro, um isqueiro do fogão, a própria chama do fogão, e mesmo fenómenos naturais como a electricidade estática ou um raio.
Felizmente incêndios a bordo, apesar de acontecerem, são pouco frequentes. Sem dúvida graças à atenção e preocupação dos tripulantes como à boa sorte que não se cansa de ajudar nesses momentos.

Prevenção

Hoje em dia a prevenção começa nos construtores. Os barcos já são desenhados com a preocupação de montar as instalações eléctricas, de gás e de combustível de forma mais segura. Fios eléctricos de medidas adequadas e longe de fontes de combustão, quadros de fusíveis de acordo com a aparelhagem a usar, tubos de combustível e gás rígidos, depósitos de combustível longe do motor, garrafas de gás em local arejado, etc., ou seja materiais adequados e correctamente instalados.
A outra parte cabe ao patrão e à tripulação. Evitar o incêndio e se não for possível saber combatê-lo correctamente.
A revisão periódica das condições em que se encontra o material deve fazer parte da manutenção regular da embarcação. Não é só pintar o casco, verificar as costuras das velas ou o estado dos diversos cabos, mas também a condição de diverso equipamento a bordo que é importante.
Há pequenos detalhes que convém observar:

  • Quando está a abastecer, desligue o motor. Não fume, não faça lume, não cozinhe, desligue os aparelhos eléctricos, enfim, faça apenas o que a lógica nos recomenda.
  • Não ateste os depósitos. Além do combustível poder espalhar-se desagradavelmente pelo convés, aquele está armazenado a uma temperatura baixa e vai necessitar de espaço para se expandir no depósito, sobretudo em climas quentes.
  • Cuidado com as fugas de gás quando troca de garrafa, ou quando liga o fogão (ou forno!)
  • Existem no mercado detectores de gás que previnem fugas de gás.
  • Se permite fumar a bordo, deixe apenas que o façam no convés. É uma boa oportunidade para ensinar ou relembrar o que significa barlavento ou sotavento. Quando deitar um cigarro borda fora lembre os fumadores de que as velas costumam atrair pontas de cigarro acesas.
  • Cuidado com os fritos a bordo. Óleos muito quentes inflamam-se facilmente.
  • Os extintores não são elementos decorativos nem servem apenas para serem mostrados durante a inspecção. Tenha-os, pelo menos dois, a bordo e convenientemente operacionais. Atenção às revisões periódicas!

Combustível

O depósito principal não deve apresentar fugas. Verifique a tubagem até ao motor, especialmente as de borracha. No caso das metálicas desconfie das dobras. Tome em atenção as zonas oleosas pois normalmente significam roturas, por onde sai combustível. As uniões têm tendência a poderem ficar mais soltas devido à vibração, especialmente junto ao motor. Verifique se há manchas oleosas debaixo do motor, pois é habitual espalhar-se debaixo dos paneiros com a água. O cheiro não engana. Poderá colocar um pequeno tabuleiro sob o motor para recolher as pequenas fugas e limpar depois periodicamente.
Deverá haver sempre uma torneira de corte, facilmente acessível, o mais próximo possível do depósito. Um extintor de pelo menos dois quilos (e dentro do prazo!) deve estar próximo do motor.
O compartimento do motor, sobretudo se o motor for alimentado a gasolina, deve ter um extractor de gases. Este tipo de combustível é muito volátil e cria facilmente gases prontos a serem inflamados. Neste caso ligue o extractor durante uns minutos antes de ligar o motor.
Os depósitos suplementares devem ser apropriados e bem acondicionados.

Gás

A garrafa ou garrafas de gás devem estar colocadas num compartimento, afastadas das fontes de ignição (fogão, motor e zonas eléctricas). O compartimento deve ter uma saída no casco para que o gás (fugas resultantes da mudança da garrafa) possa escapar para o exterior. Verifique regularmente as tubagens de gás sobretudo as flexíveis nos fogões oscilantes. Substitua todas as borrachas ressequidas.
Sempre que haja necessidade de mudar a garrafa feche a torneira de segurança. Controle também no fogão que os bicos tenham ficado devidamente fechados e a torneira de segurança cortada. Sempre que não use diariamente o fogão feche também a torneira no regulador junto da garrafa.
O gás, sendo mais pesado que o ar, não escapa facilmente para a atmosfera, tendo tendência para se acumular dentro do barco ou nos compartimentos. Pode usar as bombas de fundo trabalhando «em seco» para extrair esse gás acumulado. Se não tiver um detector de gás, o que é deveras aconselhável, desconfie imediatamente do «cheiro». As fugas de gás podem ser detectadas pincelando com água e sabão os locais suspeitos.
Ao cozinhar tome em atenção os fritos que em elevadas temperaturas literalmente explodem em chamas espirrando chamas em todos os sentidos.

Electricidade

Toda a instalação eléctrica deve estar em perfeitas condições. Fios descarnados, más ligações ou maus contactos são potenciais causadores de curto-circuitos, logo de ignição. Os circuitos devem estar ligados a fusíveis independentes adequados à potência utilizada pelos aparelhos. Os componentes usados na instalação eléctrica devem ser resistentes às condições adversas do ar do mar.
Para evitar o contacto com a água podemos usar baterias estanques. O compartimento das baterias deverá também estar bem isolado da água e estas bem amarradas para evitar tombos com os balanços da embarcação. Em caso de curto-circuito deverá ser possível cortar facilmente a corrente à saída das baterias.

Combate a Incêndios

Para combatermos eficazmente um incêndio devemos compreender o chamado « triângulo do fogo» ou «teoria do fogo». Este triângulo é composto de três elementos. A temperatura (adequada ao material), o combustível (madeira, papel, gasolina, gás, etc.) e o comburente (oxigénio). Eliminando um destes componentes do triângulo conseguimos eliminar o fogo.

Quando se inicia um incêndio deve-se tentar combatê-lo de imediato para evitar a sua propagação (que pode ser rápida devido aos materiais de que as embarcações são construídas) e evitar o aumento da temperatura, que dificulta o combate e alimenta o incêndio.
Avise e afaste a tripulação do foco de incêndio e indique alguém para cortar o combustível e o gás, enquanto se inicia o combate. Afaste os pirotécnicos do local. Sinalize a outras embarcações a sua situação, via rádio ou outros meios.
Se o incêndio for no exterior devemos primeiramente orientar a embarcação de modo que o fogo fique a sotavento. Tentemos depois eliminar um dos factores que alimentam o incêndio. A rapidez no combate permite que a temperatura não suba muito e não aumente o incêndio.
Se o incêndio for no interior e o combate quase impossível, devemos fechar todas as vigias, portas interiores, albois, etc., de modo a se consuma o oxigénio existente no o interior e o fogo sufoque sendo assim eliminado. Não hesite em atirar à água um colchão ou outro objecto a arder para a água.
Se possível vista roupa que cubra o corpo (mangas compridas, gorro, etc.) para evitar queimaduras. Use o meio de extinção mais adequado ao tipo de fogo a bordo. Cuidado com os gazes resultantes da combustão que são extremamente tóxicos e venenosos.

Se não for possível combater o incêndio, ou por falta de meios ou outro motivo qualquer deve-se iniciar de imediato os procedimentos de abandono do barco.

Meios de Extinção

Numa embarcação de recreio os meios usados para combater incêndios resumem-se quase exclusivamente ao uso de extintores, de água e de cobertores. O uso da água deve ser completamente excluída quando a fonte é o combustível. Neste caso a água iria propagar o combustível em chamas pela embarcação.

Extintores

Dos muitos tipos existentes no mercado para embarcações de recreio recomendamos os de pó seco ou de Halon (BCF ou BCM).
Os de pó seco são eficientes em todos os tipos de incêndio. Aponte o extintor para a base das chamas em disparos mais ou menos curtos. Não pressione a válvula de disparo continuamente, pois provavelmente esse foco já está eliminado e vai necessitar de mais carga para os outros. Têm apenas um pequeno senão. Sujam tudo! Mas é preferível um barco meio sujo, a um incêndio, não?
O Halon é extremamente rápido e eficaz e pode ser usado em qualquer tipo de incêndio. Em compartimentos fechados é preciso ter algum cuidado de não inalar os gazes formados que são tóxicos. Mas depois de extinto não deixa vestígios e basta arejar o local. Como os gazes são mais pesados pode usar depois as bombas de fundo para retirar resíduos. Este tipo de extintor é o ideal para compartimentos de motor. Neste caso não se esqueça de desligar o extractor de gazes.

Água

O uso da água deve ser feito com muito cuidado. Nunca!, mas mesmo nunca, use água para combater um incêndio que tenham por base gorduras. O combustível (Gasóleo ou gasolina) são gorduras e na cozinha elas também são usadas. O facto de serem menos densas que a água fazem que essas gorduras se espalhem à superfície da água e com ela rapidamente pela embarcação. É como regar um fogo com gasolina!
Também junto de elementos eléctricos, como baterias, pode ser perigoso, pois pode provocar curto-circuitos que provocarão novos focos de incêndio.
A água é eficaz, entre outros, com as velas, cabos, madeiras, colchões, roupa e actua essencialmente como um redutor da temperatura. Nestes casos pode e deve usar água salgada.

Cobertores

Deve ter junto do fogão uma manta própria para abafar possíveis inflamações de óleos numa frigideira. Uma tampa ou uma toalha também faz o mesmo efeito e a ideia geral é abafar o fogo. Depois de abafar não levante de imediato o cobertor com medo de o queimar ou de arder. Mantenha-o sobre a frigideira uns bons segundos enquanto se prepara com o extintor. Normalmente este não será preciso.

Pontos Essenciais

  • Previna-se. Leia as instruções dos seus meios de combate e saiba como usá-los.
  • Por mais pequeno que seja o incêndio, combata-o de imediato.
  • Avise a tripulação do facto.
  • Corte de imediato o combustível e o gás. Desligue, se não tiver que manobrar, o motor. Se tiver origem eléctrica corte a energia junto das baterias.
  • Feche todas as entradas de ar para o interior. Ventiladores, albois, vigias, etc.
  • Peça ajuda com sinais ou via rádio.
  • Prepare o eventual abandono do barco.
  • Será que é preciso lembrar de que é necessário neste momentos ter calma? Sabemos que é difícil, mas é essencial para uma atitude eficaz.

Por último. A prevenção é sempre o melhor remédio. Treine a sua tripulação para estes momentos e indique a cada elemento a sua função. Treine com os bombeiros ou outras entidades licenciadas métodos de extinção com extintores.


Procedimentos de Rádio em casos de emergência

De acordo com regras internacionais, os pedidos de auxílio no mar são identificados conforme o seu grau de urgência:

  • Mayday - caso o navio esteja a ponto de se perder e a sua tripulação esteja em procedimento de o abandonar;
  • Pan-Pan - caso o navio não esteja estruturalmente em perigo mas a sua tripulação com necessidade de ajuda de terceiros;
  • Securité - para os casos ainda menos graves, em que a tripulação deseja nada mais do que informar os barcos ao seu redor de algo;

Mesmo em casos de emergência temos de seguir as regras de uso do VHF ou MF, que todos devemos saber. Resumindo:

Se o seu rádio já estiver equipado com DSC (Digital Selective Calling), accione a respectiva tecla. Neste caso só poderão responder estações que tenham este sistema (todas as estações costeiras europeias já estão equipadas com este sistema).
Verificar primeiro se o canal de emergência (16) está livre. Se estiver em uso a sua comunicação pode não ser ouvida.
Use a potência máxima de emissão. Apenas nas comunicações de Securité e algumas de Pan-Pan deve usar baixa potência. Além de poupar as baterias, garante que quem o está a ouvir está relativamente perto de o poder alcançar e assistir.
Aguarde uma resposta nos próximos 30 segundos, só depois, se ninguém tiver respondido, tente de novo.
Se ainda assim não estiver a ser ouvido passe para a potência de emissão mais alta, e repita o procedimento.
Caso não tenha obtido resposta lance o alerta com todos os dados necessários. A sua comunicação pode estar a ser escutada, mas por qualquer motivo não consegue ouvir uma resposta:
A comunicação de socorro deve ser efectuada sempre em canal 16. Depois de estabelecer comunicação, não passe para outro canal.

    Antes de começar a emitir prepare os dados. Anote a sua posição, velocidade e rumo, pois é natural que para o socorrerem tenham de saber onde se encontra. O preenchimento regular do diário de bordo e a marcação das posições na carta, permitem-nos ter uma noção mais correcta da nossa posição. Se não souber as coordenadas (com o GPS é directo ou se este estiver ligado ao rádio com DSC a posição indicada no GPS é enviada automaticamente), pode transmitir uma posição aproximada como, «estou a 8 milhas a sudoeste de Sines», ou, «navego para a Lisboa no rumo 072º com o Espichel à vista».
    Lance então o seu alerta. Se bem que por vezes difícil, é muito importante manter a calma. A sua comunicação será com certeza mais audível e consequentemente melhor entendida.

    Passos na transmissão:

    • Se tiver DSC accione o sistema e passe ao canal de emergência.
      Em VHF use o canal 16 e em HF os 2182 kHz. Use sempre primeiro o VHF.
      diga MAYDAY (três vezes)
      aqui (uma vez) nome da embarcação (três vezes)
      de a sua posição (coordenadas, rumo, distância, etc.)
      tipo de acidente (rombo, incêndio, etc.)
      tipo de assistência pretendida
      número de pessoas a bordo
      outros dados para facilitar a busca, como a cor e tipo da embarcação, situação a bordo, etc.
      escuto

    Exemplo do pedido de socorro:

    • MAYDAY-MAYDAY-MAYDAY
      aqui Polar, Polar, Polar
      encontro-me a 3 milhas do Cabo da Roca, rumo magnético 180 graus
      tenho água aberta
      necessito de assistência imediata
      escuto

    Em resposta indique depois mais pormenores, como o tipo de acidente (rombo, etc.), feridos a bordo, crianças, etc.

    • MAYDAY-MAYDAY-MAYDAY
      aqui Polar, Polar, Polar
      encontro-me a 3 milhas do Cabo da Roca, rumo magnético 180 graus
      tenho água aberta
      necessito de assistência imediata
      veleiro azul de 12 metros com 5 tripulantes a bordo
      estimo umas 4 horas antes de afundarmos
      escuto

    Se não obtiver resposta, repita periodicamente (2 vezes de 5 em 5 minutos) até que seja ouvido ou assistido. Não se esqueça entretanto de activar o seu Epirb.

    SE FOR VOCÊ A OUVIR UM PEDIDO DE SOCORRO!

    • Se ouvir uma transmissão de socorro que não foi respondida tem de responder, mesmo que não possa prestar auxílio, pois poderá servir de relé com outra estação.
    • Se estiver relativamente seguro de que não se encontra em condições de prestar auxílio aguarde um pouco que outros, que podem estar mais próximos, respondam.
    • Peça todos os dados necessários; posição, tipo de auxílio necessário, nr. de tripulantes, etc. Nestes momentos é natural que algum dado importante seja esquecido!
    • Informe as autoridades
    • Mantenha contacto com o acidentado regularmente, informando-o da distância e do tempo a que está do local, e dos procedimentos que já tomou. É muito importante manter o moral e a esperança de quem está à espera.

    SE TIVER UMA EMERGÊNCIA MÉDICA

    Consoante a gravidade da situação deve dirigir-se de imediato para o porto mais próximo enquanto presta os primeiros socorros à vítima. Pode obter ajuda médica através das estações costeiras (em águas portuguesas chame através do canal de emergência por Lisboa-Rádio).
    As estações costeiras estão preparadas para prestar este tipo de ajuda.


    Abandono da embarcação

    O momento certo de abandonar uma embarcação não é fácil avaliar. O abandono só deve ser efectuado em último recurso e só deve ser feito caso a embarcação esteja de facto perdida e a afundar-se irremediavelmente. Primeiro deve tentar por todos os meios salvar o barco e só se tal não for possível tome essa decisão.
    No caso de incêndio incontrolável o abandono deve ser imediato, para que a balsa não sofra danos e os tripulantes ferimentos graves. Condições que naturalmente mais tarde se agravarão pondo em risco a vida dos náufragos. Se não conseguir tapar uma entrada de água, pode aumentar o tempo de flutuação e eventualmente impedir o afundamento se fechar todas as anteparas e albois. Mesmo cheio de água e a flutuar um barco nestas condições é mais seguro do que uma balsa, e podemos usar as provisões que estão a bordo. Se não tiver já o colete vestido é altura de o colocar.

    Se tivermos que abrir a balsa, não se esqueça de prender o cabo de disparo num ponto fixo do barco. Primeiro permite que a balsa encha automaticamente e depois, o mais importante, que ela não se afaste do barco. A precipitação pode levar a atirar a balsa para dentro de água, sem que se prenda o tal cabo, e esta afunde com o peso no mar.
    Não se esqueça de lançar o alerta via rádio e activar a rádiobaliza.
    Leve para a balsa o saco de abandono e outro equipamento ou provisões que ache necessário. Em caso de falta de espaço opte sempre por água.
    Aguarde calmamente (se é que nestes casos isso é possível) pelo auxílio. Tanto a calma como o pânico transmitem-se ao resto da tripulação. Dependente do local, situação, número de tripulantes, se for necessário racione os alimentos, sobretudo a água, calculando quanto tempo poderá ficar à espera. Organize turnos de vigia tendo preparado os foguetes e fachos. Lance-os apenas, e para sotavento, se a embarcação avistada não estiver muito afastada, pois corre o risco de ela não ver.

    Numa situação destas o comando da embarcação transfere-se para a balsa e deve ser respeitado e imposto se necessário.

    Procedimentos

    • Lançar alerta indicando o nome da embarcação, a posição, o número de tripulantes.
    • Activar a baliza de rádioajuda (EPIRB).
    • Abrir a balsa sem esquecer de prender o cabo de disparo!
    • Colocar os coletes.
    • Levar para a balsa apenas material de primeira necessidade. Convém para estes casos ter preparado um saco de abandono.
    • Se as condições do mar permitirem fique próximo da embarcação, se esta ainda estiver a flutuar.
    • Mantenha a calma e inicie turnos de vigilância para perscrutar o horizonte em busca de auxílio.
    • Racione a água e alimentos (dependendo do local e distância da costa). O salvamento pode demorar a chegar.
    • Não dispare à toa os pirotécnicos. Aguarde que o navio esteja próximo e que tem boas hipóteses de ser visto. Durante o dia, se houver sol, use o espelho.
      (tome em consideração a intensidade e direcção do vento quando usar fumos ou pirotécnicos)

    Saco de Abandono

    No momento de abandonar a embarcação é normal que a nossa preocupação seja salvar a pele, e muitas vezes não temos tempo de recolher algum equipamento que poderá ser imprescindível mais tarde. Metade do necessário fica sempre esquecido.
    É útil e de bom senso ter um saco, o chamado saco de abandono, preparado para esses momentos de aflição e que deve conter tudo o que é necessário para que rapidamente possamos levar de uma vez o que é realmente importante.
    Os momentos seguintes poderão ser horas ou dias, e devemos estar preparados para esses tempos difíceis enquanto não chega o socorro. Existem no mercado alguns sacos com o conteúdo adequado para essas situações. Ou se quiser pode você mesmo fazer um, dependendo do tipo de viagem que vai efectuar. Lembre-se que os acidentes não acontecem só aos outros!

    O saco deve flutuar, ser impermeável e de preferência de cor viva. Não deve ser excessivamente pesado para que seja facilmente carregado ao abandonarmos o barco. Também não deve ser muito grande (=pesado). É preferível repartir o material em dois sacos (é mais que suficiente, pois é apenas um saco de emergência, não um armazém do barco!). Em princípio o conteúdo, se for acondicionado em sacos estanques, será suficiente para que o saco flutue, mas não será demais ter um cabo preso ao saco para que seja atado na balsa antes de o transferir. Também deve ser guardado num local de acesso rápido (nunca no fundo do arrumo!).

    Algum material poderá já vir no kit da balsa, pelo que poderemos talvez omitir esses elementos. Mas nunca é demais se houver espaço para eles.

    SEGURANÇA

    • Pirotécnicos (3 fachos vermelhos, 3 paraquedas vermelhos, 2 fumos laranja)
    • EPIRB 406 MHz manual
    • VHF portátil com bolsa estanque
    • Espelho de sinais
    • Apito ou corneta
    • Lanternas estanques c/ baterias suplentes
    • Várias luzes químicas
    • Kit de reparação da balsa
    • Bomba de ar manual para a balsa
    • Drogue

    NAVEGAÇÃO

    • Rádio FM/AM c/ baterias suplentes
    • Agulha de mão
    • Relógio à prova de água
    • Almanaque náutico
    • Cartas náuticas
    • Bloco para notas (de preferência à prova de água)
    • Lápis

    PESCA

    • Faca de pesca
    • Anzóis variados (amostras)
    • Várias linhas de pesca
    • Serra de fio
    • Kit de pesca

    ALIMENTAÇÃO

    • Dessalinizador manual
    • Recipiente para líquidos dobrável
    • Copo graduado
    • Pequenas embalagens de água (mínimo 2 litros)
    • Rações energéticas (1 por pessoa)
    • outros alimentos à escolha (lembre-se que não pode cozinhar!)
    • Abre-latas/Canivete múlti-funções (pode não ser suíço...)
    • Boião de mel

    USO PESSOAL

    • Roupa interior - em polypropyleno
    • Roupa quente (luvas, barrete, meias, camisola)
    • T-Shirt de mangas compridas
    • Escova de dentes
    • Originais ou cópias dos documentos (BI, passaporte, do barco, cartões de crédito)
    • Algum dinheiro
    • Óculos de Sol
    • Lenços de papel
    • Cobertores térmicos
    • Toalhetes de limpeza sem água

    EQUIPAMENTO MÉDICO

    • Creme solar
    • Baton solar para os lábios
    • Comprimidos para o enjoo
    • Vaselina
    • Vitaminas múltiplas
    • Kit de primeiros socorros c/ manual
    • Medicamentos pessoais (insulina, etc.)

    DIVERSOS

    • Manual de sobrevivência
    • Isqueiros / fósforos à prova de água
    • Sacos impermeáveis
    • Esponja (bom absorvedor de líquidos)

    Air Jordan Spizike 3.5 Shoes