O que há de novo ...
Pretende-se neste secção divulgar novidades náuticas relevantes para os Associados e o que vai aparecendo de novo nas nossas páginas.
Se é um visitante regular deve começar por esta secção. Os Associados devem também ler as últimas afixadas no Quadro de Avisos.
Pode também consultar os Boletins Informativos ANC em formato Pdf.
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| 28/10/2022 |
Reunião ANC e ICNF sobre interações com Orcas na costa Portuguesa |
Caros Associados No passado dia 12 de outubro a ANC, na figura do seu presidente, esteve reunida com o Dr. Miguel Domingues e a Dr.ª Marina Sequeira no Instituto de Conservação da Natureza e Florestas com o objetivo de apresentar a ANC como representante de uma importante parte dos Armadores de Embarcações de Recreio e abordar o tema mais importante do momento: As interações entre Orcas e veleiros na costa portuguesa e suas implicações. Nesta reunião, que foi muito produtiva, foram abordados vários aspetos dos quais destacaria: - Papel da ANC, como parceiro do ICNF e do Grupo Orca Ibérica, na comunicação com os armadores portugueses e na recolha de dados e testemunhos das interações ocorridas com os seus associados. - Ponto de situação do que se sabe, até ao momento, sobre as interações com grupos de orcas, possíveis razões e locais mais comuns. - Papel das autoridades no rastreamento e aviso atempado dos locais de possíveis interações com grupos de Orcas. - Necessidade se fazer uma ampla discussão sobre o tema com todas as entidades envolvidas, (ICNF, Grupo Orca Ibérica, Marinha (MRCC), APPR, Ministério da Economia e do Mar/Secretaria de Estado do Mar, Ministério do Ambiente Espanhol, Instituto Hidrográfico, Especialistas no tema, ANC, Clubes Náuticos e outros parceiros) de forma fazer um ponto de situação sobre o tema e tentar encontrar uma solução para o problema. Fomos informados pelo Dr. Miguel Domingues que o ICNF também já tem essa intenção e que está atualmente a congregar meios internamente para colocar de pé uma reunião em janeiro ou fevereiro de 2023. Abordámos possíveis locais, tendo informado o Dr. Miguel Domingues e a Dr.ª Marina que o Planetário será um local possível, uma vez que o mesmo foi, de pronto disponibilizado pelo seu diretor, o Sr. Cmd. João Silva Ramos, nosso Vogal na Direção da ANC, com quem já tinha abordado o tema e se prontificou, de imediato e pelo interesse da causa, a colaborar. A interação entre as Orcas e veleiros, com a destruição de portas de lemes, constitui um enorme risco para a salvaguarda da vida humana no mar e implica prejuízos avultados para os seus proprietários. Convidamos por isso, todos os velejadores a documentar, o mais detalhadamente possível, as eventuais interações de que possam vir a ser alvo, se possível com fotografias, coordenadas geográficas e ações tomadas ou manobras levadas a cabo, para que se conheça com mais profundidade o fenómeno e em conjunto e com o contributo de todos, encontremos soluções para minimizar ou resolver o problema. A experiência de todos é fundamental para termos navegações mais seguras e prazeirosas! António Bessa de Carvalho |
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| 15/10/2022 |
Congresso da Vela + Gala dos Campeões: 15 de outubro 2022 |
Caro velejador,
O Congresso da Vela realiza-se já no próximo dia 15 de Outubro! Durante o período da manhã, o dia começa com várias intervenções individuais e, na parte da tarde, serão apresentadas e debatidas conclusões dos grupos de trabalho sobre vários temas relevantes no panorama nacional da Vela e serão dinamizados três workshops:
No final do dia, terá lugar a “Gala dos Campeões”, que tem um custo de 25€ por participante e que conta com um jantar buffet e entrega de prémios aos velejadores homenageados. Para mais informações e inscrições: https://congressodavela.pt/
Nota: A inscrição no Congresso é obrigatória e gratuita
Até lá,
A Organização
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| 27/09/2022 |
Procura e Oferta de Tripulantes /Utilidades/Bolsa Tripulantes |
Adicionado na página Utilidades/Bolsa de tripulantes |
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| 29/08/2022 |
Ataque de Orcas perto do Cabo Sardão |
Pelas 13h00 +- foi atacado um veleiro na posição 37 30 N 09 02 W - Perto do Cabo Sardão! Após o primeiro embate em que provocou alguns estragos no leme foi executada a manobra de marcha á ré o que levou á paralisação do ataque, as orcas ficaram a acompanhar a manobra por algum tempo e depois acabaram por se afastar. O veleiro seguiu pelos próprios meios. |
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| 01/08/2022 |
XXXIII Regata Atlantis Cup - Regata da Autonomia 1 a 7 de Agosto |
Exmos,
Encarrega-me a Direção do Clube Naval da Horta de enviar em anexo o cartaz e o Anúncio de Regata da XXXIII edição da Regata Atlantis Cup - Regata da Autonomia. Desta forma pedimos a vossa melhor colaboração na divulgação desta emblemática regata.
Com os melhores cumprimentos,
Técnico de Gestão Desportiva
Email: antoniomenezesp@cnhorta.org Saiba mais sobre nós em www.cnhorta.org Clube Naval da Horta, um mundo náutico à sua espera! |
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| 24/07/2022 a 12/08/2022 |
Cruzeiro de Verão ANC 2022 -Algarve - Andaluzia - Ceuta 24 de Julho a 12 de Agosto |
Cruzeiro de Verão 2022 – 500 anos da I Volta ao Mundo à Vela
Caro Associado,
Publicamos em anexo o Programa Oficial atualizado, no seu original em Castelhano, que nos abstivemos de traduzir e que ainda poderá sofrer alguma modificação de pormenor. Caso pretenda efetivar a sua participação, deverá rapidamente enviar um email para geral@ancruzeiros.pt com nome, nº de associado, telefone, email, nome da embarcação e número de tripulantes. O processo de inscrição e de pagamento do cruzeiro será feito com a ANC, seguindo os valores e normas definidas pela organização. (em anexo) Estamos, em colaboração com a Associação 500 Anos, a ultimar os preparativos do Cruzeiro, que serão enviados à lista de inscritos, juntamente com o pedido da documentação necessária para facilitar a chegada a cada porto. Este será o último cruzeiro de Comemoração da I Volta ao Mundo à Vela iniciada por Fernão de Magalhães e terminada por Sebastião D’Elcano e, à semelhança das edições anteriores, vamos tornar este Cruzeiro uma grande festa de celebração do Mar, da Vela e da confraternização entre as várias tripulações
A Direção |
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| 06/07/2022 |
Expedição Lusitânia atinge o seu objetivo, chegando ao Rio de Janeiro 100 anos depois de Sacadura Cabral e Gago Coutinho |
Expedição Lusitânia Comemorações dos 100 anos da 1ª travessia aérea do Atlântico Sul
6 barcos de Armadores da Associação Nacional de Cruzeiros chegaram no dia 17 de Junho de 2022 ao Rio de Janeiro, exatamente100 anos depois da aterragem de Sacadura Cabral e Gago Coutinho na Baia de Guanabara. Numa organização conjunta da Associação Nacional de Cruzeiros e da Associação David Melgueiro, a Expedição Lusitânia, comemorativa dos 100 anos da 1ª travessia aérea do Atlântico Sul e dos 200 anos da independência do Brasil, chegou a bom porto, tendo sido recebida pelo Ex.mo Sr. Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa no Distrito Naval do Rio de Janeiro e no Palácio de São Clemente, Consulado de Portugal nesta cidade. Os nossos navegadores atravessaram, numa proeza fantástica até pelo período do ano em que se realizou, o Atlântico, tendo praticado todos os portos em que Sacadura Cabral e Gago Coutinho amararam à 100 anos: Gran Canária, Mindelo, penedos de São Pedro e São Paulo, onde à data se perdeu o primeiro avião, Fernando Noronha, Recife, Salvador da Baía, Vitória e finalmente a baía de Guanabara no Rio de Janeiro. Muitas peripécias e aventuras se passaram, das quais convidamos os intervenientes a darem conta numa futura Tertúlia Vélica, sendo de assinalar que as seis embarcações, o Arnika, Anixa II, LaLuna II, Maião, Suek e Zalala, chegaram a bom porto com as suas tripulações, tendo sido apoiados de uma forma magnífica pela Marinha do Brasil, a quem deixamos os nossos públicos agradecimentos. Em todas as escalas a frota foi recebida com grande festa e honras à altura da aventura fizeram, tendo o Ministério dos Negócios Estrangeiros Portugueses, através da nossa Embaixada em Brasília e dos Consulados locais, apoiado e dinamizado o convívio com as populações locais. A Marinha do Brasil mais uma vez foi inexcedível, tendo arranjado em todas as escalas marinas para receber a frota. O Sr. Presidente da República Portuguesa deu o tiro de partida da Expedição e recebeu, conjuntamente com as várias entidades presentes e com o Comando Geral da Marinha do Brasil, a frota no Rio de Janeiro, em celebrações que decorreram todo o dia e terminaram com uma palestra do Comandante José Mesquita, da Associação David Melgueiro subordinada ao tema “Salvem os Oceanos, Salvem a Humanidade”, razão maior da Expedição e com um espetáculo da cantora Luso/Brasileira Fátima Fonseca no Palácio de São Clemente. A frota irá iniciar em Novembro o seu regresso a Portugal, via arco das Caraíbas e Acores, estando prevista a sua chegada em Julho de 2023. Para aguardar a melhor altura de fazer a travessia a frota ficará estacionada no Clube Naval de Charitas, instalações militares em Niterói uma cortesia da Marinha do Brasil. Muito mais haveria para contar, mas deixemos os pormenores aos intervenientes. |
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| 09/06/2022 |
Expedição Lusitânia - Suek: Etapa Recife - Salvador da Baia |
A estadia no Recife foi agradável. O Cabanga Iate Club tem excelentes instalações e fomos recebidos sempre com muita simpatia. O único senão, foi termos estado na semana dos dilúvios, com chuvas fortes todos os dias, nalguns casos durante o dia todo o que impediu de lavar e secar convenientemente os barcos por dentro. Apesar disso, ainda tivémos um simpático almoço a convite do Real Hospital Português de Beneficência seguido de uma visita ás suas instalações, acompanhados pelo seu provedor. É uma obra notável, tem uma área de 130 mil m², conta com 2000 médicos, 5600 colaboradores, 28 salas cirúrgicas e realiza 1500 cirurgias por mês. Não imaginava o forte apoio e envolvimento que Portugal tem no Recife. Ainda nessa tarde, tivemos também uma cerimónia solene com a deposição de uma coroa de flores junto ao monumento do Gago Coutinho e Sacadura Cabral, contando com a presença de várias figuras públicas do Recife, a marinha e a força aérea brasileira, cuja banda tocou o hino nacional dos dois paises. De seguida, fomos convidados pelo Gabinete Português de Leitura do Recife, uma instituição gerida pela comunidade Portuguesa, situada num bonito edifício tradicional, para a inauguração de uma exposição sobre Gago Coutinho e Sacadura Cabral e onde houve também um porto de honra. No auditório decorreu a palestra sobre as alterações climáticas proferida pelo José Mesquita. No dia seguinte, a convite do turismo vieram-nos buscar numa carrinha para darmos uma volta a conhecer o Recife e em particular a zona de Olinda. O resto dos dias foram a aguardar que a chuva parasse, a fazer algumas reparações possíveis e compras para abastecimento dos barcos. Tratámos também do processo de entrada no Brasil, que depois de várias peripécias, apenas resolvidas com a ajuda do vice consul de Portugal no Recife conseguiu ficar concluido. Apesar disso, não nos livrámos de uma multa de 100 reais cada um, por não termos tratado da entrada em Fernando de Noronha. Não o fizémos na altura, porque tinhamos recebido informação de que a entrada poderia ser tratada no Recife. Acontece é que quem deu essa informação não foi a policia federal que é a entidade responsável por estes processos... Éramos para ter saido em direção de Salvador da Bahia na maré cheia de domingo, dia 29 de Maio, mas devido á chuva que impediu a marinha de nos vir dar os documentos de saida atendendo a que o Recife estava alagado devido ás firtes chuvas que estavam a ocorrer, acabou por se marcar a saida para o dia seguinte. Contudo, apenas dois dos barcos acabaram por sair. Os outros tiveram de esperar pela maré cheia do dia seguinte que só ocorreu na madrugada do dia 31 Maio, terça feira. Este atraso deveu-se á necessidade de uma reparação urgente num barco onde após ter comprado um enrolador de genoa novo em Portugal, descobriu que foi mal montado quando ao abrir a vela na marina numa ação de rotina, a calha desconjuntou-se nos vários segmentos. Com isto, acabou também por rasgar a vela que era nova. Foi um dia inteiro para tirar o estai real, montar, fixar a calha e voltar a montar tudo. Saimos assim com a maré das 04:30h da manhã, do dia 1 Junho, terça feira. Chegados ao mar, havia pouco vento e muita ondulação, pelo que tratámos de nos afastar o mais possivel da costa. Como as previsões de vento apontavam para fora andámos um dia num rumo para sul para nos continuarmos a afastar e depois seguir rumo direto para Salvador. Durante a noite, não nos livrámos dos habituais aguaceiros com chuva e vento forte. Após mais alguns aguaceiros fortes, especialmente á noite, com nuvens escuras acompanhadas de vento, e outros periodos sem vento, chegámos á marina Porto Salvador no dia 3 de Junho pelas 14:30h locais. Os outros barcos que tinham saido um dia antes, já tinham chegado de manhã cedo. Á chegada tinhamos uma simpática receção com vários elementos da marinha brasileira no cais da marina, tendo havido logo uma sessão de fotos. Entregaram-nos também um extenso programa de atividades que tinham preparado para a nossa estadia em Salvador, contando sempre com o seu apoio e acompanhamento. |
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| 28/05/2022 a 13/06/2022 |
Caminho Marítimo de Santiago |
CAROS ASSOCIADOS E AMIGOS ANC Com o objetivo de recriar, na costa portuguesa, a viagem da “Barca de Pedra” que, segundo reza a lenda, no ano 40 do primeiro milénio transportou o corpo do Apóstolo Santiago desde Jaffa na Palestina até Campus Stella na Galiza, está a ANC a apoiar a iniciativa da UPSTREAM e do FÓRUM OCEANO na realização de um evento promocional, que promoverá o arranque do projeto e será assinalado com – REGATA “CAMINHO MARÍTIMO DE SANTIAGO”, a realizar em finais de Maio, inicio de junho de 2022, aberto a Associados ANC de Portugal e de Espanha que assim se organizarão num Cruzeiro à Galiza. Poderá haver a necessidade de embarcar em alguns troços jornalistas nacionais ou estrangeiros especializados em Turismo Náutico.
Sobre este projeto daremos todas as informações aos interessados, queiram para isso contactar a ANC pelos meios usuais ou os abaixo indicados. Paulo Murta Xavier / 938 162 625 / paulo.xavier@icloud.com António Bessa de Carvalho / 916 616 753 / a.bessacarvalho@sapo.pt |
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| 26/05/2022 |
Expedição Lusitania - Suek - Resumo 2ª parte etapa 3 - Cabo Verde - Recife |
Expedição Lusitania - Suek - Resumo 2ª parte etapa 3 - Cabo Verde - Recife
Dia 12 de Maio, ao cair da noite, o Suek e o Maião partiram do arquipélago de São Pedro e São Paulo, rumo a Fernando de Noronha. Não havia vento, pelo que iniciámos a viagem a motor. A meio da noite, apareceu o vento que se manteve até ao final da viagem, entre 13 e 18 nós, com picos de 20 quase sempre pelo través, levando-nos a fazer velocidades por vezes acima dos 6 e 7 nós. Foi uma constante da viagem, assim como o mar, agitado e desordenado, com ondas a baterem com força no costado. Desta etapa, não houve muito a destacar, excepto o facto de ter um marco importante que foi a passagem do equador pelas 10:50h utc (08:50h locais) no dia 13 de Maio. Marca a entrada no hemisfério sul e a nossa primeira vez num barco á vela, pelo que ao almoço foi altura de comemorar com a abertura de uma garrafa de espumante francês que tinha trazido especialmente para esta ocasião. Começámos a avistar os contornos da ilha de Fernando de Noronha, ao longe, a meio da manhã do dia 15 de Maio. Á medida que nos iamos aproximando, ia ficando mais nitida, começando por se ver logo que o que se destacava, era a sua cor, toda muito verde, assim como o seu caracteristico pico. Fundeámos na baia em frente á praia do porto de Santo António por volta das 14h utc, 12h locais. Para água, havia uma torneira no porto junto ao chão onde podíamos encher bidons. O gasóleo tinha de ser na única bomba da ilha, que fica perto do porto, as compras na vila dos Remédios que é a zona central com restaurantes e "algum" comércio. Para levantar dinheiro tive de ir de taxi ao aeroporto porque era a única caixa multibanco disponível naquele dia. No dia seguinte, chegaram os restantes barcos e fomos almoçar a uma das esplanadas da praia do porto, ficando depois lá grande parte da tarde a conversar. Nos outros dias, além de abastecer os barcos com água e no caso do suek também de gasóleo, fizemos passeios pela ilha e parque natural, tendo inclusivamente num dia alugado buggys para uma volta completa á ilha. A marinha manteve o seu inesxedivel apoio á frota, tendo inclusivamente solicitado ao turismo a disponibilização de um carro a meio da semana para apoio no abastecimento do gasóleo do suek no transporte dos bidons e a compras de supermercado na vila dos Remédios a toda a frota. Convidaram-nos também para nos juntarmos a um churrasco num bar com uma vista deslumbrante sobre uma praia, num evento que estava reservado para a marinha, e eu e o José Mesquita, como representantes da ANC e da Associação David Melgueiro, fomos convidados pelo almirante chefe do estado maior da armada do distrito que abrange Recife, Fernando de Noronha e Natal, para almoçar, juntamente com outros convidados, a bordo do navio-patrulha oceânico "Araguari" que se encontrava fundeado na ilha a dar apoio a ações de sensibilização de cuidados médicos á população. No dia anterior a virmos embora, disponibilizaram através de uma empresa de atividades maritimo-turisticas um pequeno passeio de barco, para vermos do mar as principais praias e tomar banho numa baia com a particularidade de ter tubarões de uma espécie inofensiva. Além de tudo isto, reafirmaram todo o apoio á frota, garantindo mais uma vez seguimento em toda a costa e portos brasileiros. Irão também aguardar a chegada da frota no Recife para garantir a entrada em segurança no Cabanga Iate Club. Integrado nos eventos, o José Mesquita, fez uma palestra sobre o clima no centro de investigação marinha e biosfera de Fernando de Noronha (icmBIO) para representantes da marinha e do centro. No dia 21 de Maio pelas 10h utc (08h locais), levantámos ferro e largámos rumo ao Recife. Sol, calor e um vento entre 13 e 16 nós com bolina cerrada. Previsão entre 2 a 3 dias. Parecia ser uma das etapas fáceis e descontraidas, além de curta, face ás milhas que já percorremos. Numa das noites, apanhámos várias trovoadas, com chuva intensa, ventos fortes e variáveis e enormes clarões no céu que iluminavam o mar de uma ponta á outra. Na tarde do dia anterior á chegada ao Recife, tinhamos acabado de almoçar quando o vento levantou rápidamente e extremamente forte. Havia várias nuvens na zona, pensávamos que fosse passageiro, mas manteve-se a tarde toda. Ventos grande parte do tempo acima dos 25, 30, 33 nós com picos que chegaram aos 37 nós. Iamos com a vela grande e a genoa rizadas, mas mesmo assim por vezes batiam furiosamente, sobretudo quando as ondas que entretanto ficaram enormes, adornavam mais o barco. Outras vezes batiam com grande estrondo no casco como se fosse um tiro de canhão, varrendo todo o convés. Era difícil manobrar e além disso o vento vinha da direção do Recife. Andámos assim, a fazer bordos, tentando progredir para sul, mas muito devagar na direção do Recife. Entretanto, a força do vento era de tal forma, que um dos fechos do bimini começou a abrir, o que obrigou a ter de ir rápidamente colocar um cabo para o prender, o painel solar dobrável de reserva que ia preso em cima do bote (o bote ia virado ao contrário bem amarrado em cima do barco), começou a desprender-se e a querer "voar", obrigando a ter de lhe passar um cabo adicional, tarefa nada fácil com aquele vento, o barco a dar saltos como um cavalo selvagem que é montado pela primeira vez e as ondas a varrerem o barco. Reparámos também que a escota da genoa, pelo facto de ir muito rizada, prendeu-se num dos bidons de gasóleo que iam amarrados na balustrada do barco e com os sucessivos esticões, estava a soltá-lo. Assim, nova incursão á proa para soltar a escota. A adicionar a isto tudo, caia uma chuva torrencial com tanta intensidade e de tal forma com bátegas grossas que mal se via um palmo á frente. O barulho era enorme, não só pela chuva, mas pelo vento e as ondas a baterem no casco. Além disso, o suek por vezes voava da crista de uma onda, caindo depois na seguinte com grande estrondo. Apesar disto tudo, o barco manteve-se sólido, sempre a navegar com piloto automático, excepto nas viragens de bordo que tinham de ser rápidas, caso contrário, o barco abatia e falhava a viragem. Apesar de tudo isto, o mais complicado desta tarde, foi que um dos barcos no meio deste turbilhão de mar e vento e sem qualquer visibilidade, embateu contra um barco de pesca que estava parado sem AIS, no meio do mar a cerca de 15 milhas da costa. Bateu-lhe de raspão com a proa, tendo feito danos no verdugo, parte de cima do casco e luz de navegação. Aparentemente o barco de pesca não teve danos, os pescadores ficaram bem, continuaram na sua faina e o barco da expedição pôde seguir viagem. Ao cair da noite, finalmente o mar e o vento abrandaram. Parecia que o vento tinha parado, quando na verdade estava nos 20, 21 nós..., mas com isso permitiu ir apenas com a vela grande e o motor, num rumo quase direto para o Recife. A travessia do Atlântico sul desde Cabo Verde até ao Recife tinha terminado. Desde Lisboa tinhamos feito cerca de 3400 milhas náuticas e 200 horas de motor. |
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